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Mineral presente em meteorito lunar pode revelar mais sobre o manto da Terra

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

Recentemente, pesquisadores europeus analisaram o meteorito lunar Oued Awlitis 001 e encontraram ali um novo mineral de alta pressão, que os ajudará a entender o que acontece com materiais submetidos às altas pressões do manto terrestre. Parte do meteorito encontra-se em exposição no museu Natural History Museum, em Viena.

O mineral em questão é o donwilhelmsite, cujo nome foi escolhido como uma homenagem a Don E. Wilhems, geólogo estadunidense que realizou um grande estudo do histórico geológico da Lua e atuou na escolha do local de pouso das missões Apollo. O donwilhelmsite é composto principalmente por cálcio, alumínio, silício e átomos de oxigênio, e foi descoberto no meteorito Oued Awlitis 001, encontrado no Saara Ocidental. Trata-se do primeiro mineral de alta pressão encontrado em um meteorito, que tem aplicação aos sedimentos arrastados para o fundo do manto da Terra.

(Imagem: Reprodução/University of Manchester)
(Imagem: Reprodução/University of Manchester)

A composição do meteorito é parecida com a das rochas presentes nos continentes: os sedimentos dos continentes são transportados para os oceanos através da ação do vento e dos rios e vão parar no manto terrestre, onde se tornam parte da crosta oceânica. Quando são arrastados para profundezas que chegam aos 700 km, os minerais que constituem os sedimentos sofrem ação das pressões e temperaturas e se transformam em minerais mais densos, como o donwilhelmsite. Assim, o donwilhelmsite é um agente importante no ciclo das rochas terrestres para o transporte de sedimentos da crosta continental através da zona de transição do manto da Terra.

Os meteoritos guardam informações importantes sobre como a Lua se formou e evoluiu: como foram ejetados pelos impactos que atingiram a superfície do nosso satélite natural e foram parar na Terra, alguns deles passaram por altas pressões e temperaturas. Assim, a Dra. Vera Assis Fernandes, da Universidade de Manchester, mediu a composição do isótopo argônio nas rochas lunares para datar sua história, incluindo a formação do magma, bombardeios de impactos múltiplos e exposição aos raios cósmicos na superfície lunar ao longo de bilhões de anos.

Ela explica: "durante o bombardeio de impacto, rochas como o meteorito Oued Awlitis 001 passam por condições físicas extremas. Isso já levou ao derretimento de áreas microscópicas, que formam veias ou bolsões derretidos com esses meteoritos". As áreas atingidas são importantíssimas, porque elas imitam as condições de temperatura e pressão presentes no manto da Terra e são locais com minerais que, por natureza, são inacessíveis.

O artigo que descreve a descoberta foi publicado na revista American Mineralogist.

Fonte: Canaltech

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