Mercado fechado

Minas Gerais fecha divisas e comércio não essencial em todo o Estado

Marcos de Moura e Souza

O governo de Minas Gerais anunciou na noite desta sexta-feira o aprofundamento das medidas restritivas para lidar com o coronavírus a partir de segunda-feira e o comércio em todo o Estado estará fechado, à exceção daquele considerado essencial. As fronteiras de Minas também serão fechadas para o trânsito de passageiros em ônibus e trens e, em breve, provavelmente também para aviões.

“Acabamos de enviar para a Assembleia estadual um decreto onde, a partir de agora, o Estado de Minas Gerais estará em estado de calamidade pública em que eu assumo mais poderes do que aqueles que teria numa condição de normalidade”, afirmou o governador Romeu Zema (Novo) em um pronunciamento transmitido pelo Instagram no início da noite.

“E com isso a partir de segunda-feira a questão do fechamento do comércio de modo geral, exceto para aqueles estabelecimentos essenciais, será estendido para os 853 municípios do Estado”, afirmou o governador.

O número de casos confirmados de contaminação pelo coronavírus e de casos suspeitos segue aumentando no Estado. Ontem eram 29 confirmados e hoje, 38.

Romeu Zema, governador de Minas Gerais, durante entrevista no Palacio Tiradentes na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte/MG.

Maria Tereza Correia/Valor

Zema também anunciou o fechamento por tempo indeterminado não apenas das escolas estaduais, mas também das federais municipais e das particulares em toda Minas Gerais. As escolas da rede estadual já haviam sido fechadas esta semana e a maioria das vezes privadas havia seguido a orientação.

A Secretaria de Educação vai organizar uma sistema de trabalho para que os professores preparem semanalmente atividades para serem realizadas pelos alunos em casa. Segundo o governador, a ideia — especialmente para atender aqueles que não dispõem de acesso fácil à internet — é que uma vez por semana pais ou responsáveis passarão a ir até as escolas para pegar novas atividades e entregar aquelas já realizadas.

Outra medida anunciada pelo governador trata da restrição de entradas e saídas.

“Além disso, quero dizer que nós estaremos fechando as fronteiras do Estado para ônibus de passageiros, para transporte de passageiros, a partir de segunda-feira”, disse.

“Nenhum transporte de passageiros, que a seja ônibus ou trens, entrarão ou sairão do Estado. Com isso queremos também estar limitando a entrada da doença no nosso Estado e também o contágio de Estados vizinhos, já que estamos com alguns casos dentro de Minas Gerais.”

A liberação ou não de voos está além da autonomia do governador.

“Depende de autorização federal, mas é bem provável que nos próximos dias também será suspensa em todo o Estado”, acrescentou.

O governo já havia restringindo o número de pessoas que podem circular nos ônibus, já havia suspendido as aulas na rede pública, fechado equipamentos públicos de cultura e colocado servidores para trabalhar em casa. Cirurgias eletivas na rede pública também estão canceladas de modo a deixar liberados leitos de unidade intensiva de tratamento para pacientes com covid-19.

As medidas anunciadas hoje são uma nova tentativa limitar o número de casos no Estado e evitar de colocar em risco a capacidade dos hospitais.

“Nós temos um sistema de saúde que funciona, mas um sistema de saúde que é adequado para situações normais e não para uma situação em que dezenas de milhares de pessoas podem vir a demandar uma internação na UTI”, declarou o governador.

“Não queremos assistir aquilo que nós estamos vendo em outros países”, disse. “Pessoas que poderiam estar sendo salva não são devido ao sistema de saúde que entra em sobrecarga.”

Como já havia dito em um pronunciamento na tarde desta sexta-feira, Zema voltou a cobrar responsabilidade de todos para que vigiem suas atitudes e gestos de modo a não contribuir para a disseminação do vírus.

“Àquelas pessoas que não tomaram essa consciência, eu quero deixar aqui meu último alerta: elas são assassinos invisíveis, que estão dando tiros invisíveis sem saber o mal que estão cometendo.”

O governo informou que as medidas desta sexta só foram viabilizadas após confirmação do decreto de calamidade federal pelo Senado.