Mercado abrirá em 17 mins

Militares venezuelanos retidos em RR pedirão refúgio ao Brasil, afirma governo brasileiro

Bruno Kelly/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em nota conjunta, os Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa informaram que os cinco militares venezuelanos iniciarão procedimentos para pedir refúgio no Brasil.

  • Militares foram encontrados pelo Exército brasileiro na quinta (26); segundo governo de Maduro, eles são 'desertores' e estão envolvidos no ataque a uma base militar na Venezuela. 

Em uma nota conjunta divulgada nesse sábado (28), o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Defesa informaram que os cinco militares venezuelanos retidos em Roraima pelo Exército brasileiro foram recebidos pela "Operação Acolhida" e vão iniciar os procedimentos para pedir refúgio no Brasil.

A informação foi divulgada pelo portal G1, segundo o qual a operação, coordenada pelo Ministério da Defesa, cuida do fluxo migratório dos refugiados que cruzam a fronteira para fugir da crise no país vizinho.

Leia também

Na última quinta-feira (26), os cinco militares venezuelanos haviam sido encontrados pelo Exército brasileiro durante um patrulhamento na região da terra indígena de São Marcos, ao norte de Roraima. Estavam desarmados e foram conduzidos a Boa Vista.

Antes da nota do governo brasileiro, também nesse sábado, a Venezuela anunciou que havia solicitado ao governo brasileiro que os militares fossem entregues ao país de origem.

O governo de Nicolás Maduro considera os oficiais como "desertores" e afirma que eles estão envolvidos no ataque a uma base militar no sul do território venezuelano, semana passada. A ação teria sido contra uma instalação militar em Gran Sabana, em 22 de dezembro, resultando na morte de um oficial e no roubo de 120 fuzis e nove lança-granadas.

O ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino, afirmou que, após o ataque, unidades militares e policiais da região iniciaram uma perseguição e conseguiram prender seis homens e recuperar as armas roubadas.

Passado o episódio, o ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, declarou que os invasores foram "treinados em acampamentos paramilitares plenamente identificados na Colômbia" e teriam recebido “a colaboração do governo de Jair Bolsonaro". Por outro lado, o ministro não apresentou provas do suposto envolvimento brasileiro no caso.

Por nota, o Palácio do Itamaraty negou "qualquer participação no episódio" do dia 22 e ressaltou que "o Exército Brasileiro intensificou o patrulhamento na região da faixa da fronteira".

Em meio a uma intensa crise política, econômica e social, o governo de Nicolás Maduro tem acusado o Peru, Colômbia, Equador e Brasil de supostamente "usar" militares venezuelanos desertores que procuram refúgio nesses países para "semear a violência, a destruição e a morte na Venezuela".

Ao todo, mais de 270 militares venezuelanos desertaram em meio a impasse nas fronteiras.

A seguir, a íntegra da nota do governo brasileiro:

Os cinco militares venezuelanos localizados em território brasileiro, em 26 de dezembro, pelo Exército Brasileiro, durante patrulhamento de rotina na fronteira, foram recebidos neste sábado (28 de dezembro) pela “Força Tarefa Logística Humanitária Operação Acolhida”, onde iniciarão os procedimentos para a solicitação de refúgio no Brasil, a exemplo de outros militares venezuelanos em situação similar.

A “Força Tarefa Logística Humanitária Operação Acolhida” tem prestado relevantes serviços no atendimento aos imigrantes venezuelanos na fronteira norte do Brasil, sendo reconhecida e premiada internacionalmente.