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Microsoft e Adaptive liberam banco de dados com "pontos cegos" da COVID-19

Natalie Rosa

Durante o processo de tentar encontrar uma vacina contra a COVID-19, cientistas estão investigando principalmente a proteína espinhosa do novo coronavírus, responsável por encostar nas células humanas e, consequentemente, as infectar. Mas a Microsoft, junto a uma empresa de biotecnologia chamada Adaptive Biotechnologies, estão buscando uma abordagem diferente.

De acordo com Harlan Robins, cofundador e diretor científico da Adaptive, o estudo da proteína espinhosa é apenas uma pequena parte do genoma, revelando que, então, vem tentando descobrir de forma mais ampla o restante da resposta imune do organismo para o SARS-CoV-2.

No início desta quinta-feira (11), as duas companhias publicaram o trabalho que vem sendo feito, disponibilizando o conjunto de dados para que todos os pesquisadores possam colaborar com essa busca. Os cientistas fizeram estudos das células T em vez de anticorpos, fazendo a análise não só do vírus em si, como de amostras de sangue de pacientes recuperados da COVID-19. As células T são um tipo de glóbulo branco de defesa que atacam invasores antes mesmo da produção de anticorpos.

Imagem: Reprodução/Pixabay

Até o momento, as empresas encontraram duas áreas do vírus que merecem mais atenção. De acordo com Robins, tratam-se de elementos do vírus que provocam uma resposta imune maior e que não vem sendo estudada por muitos pesquisadores. "As pessoas estão perdendo uma grande parte do sistema imunológico que está sendo visto nesses vírus", conta.

Um desses pontos cegos, de acordo com os cientistas, é uma região conhecida como ORF7AB, onde as células T parecem se aglomerar, sendo então uma parte do vírus que pode desencadear uma resposta imune bastante significativa. Robins acredita que incorporar essa descoberta em pesquisas de desenvolvimento das vacinas, principalmente aquelas focadas no RNA e DNA do vírus, pode fazer com que elas se tornem ainda mais efetivas.

Com a disponibilização dos dados, a Adaptive e a Microsoft esperam acelerar o desenvolvimento das pesquisas sobre o desempenho das células T contra a COVID-19, e isso só foi possível graças à tecnologia de aprendizado de máquina e computação da Microsoft.


Fonte: Canaltech