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Microsoft desiste de VR e HoloLens, com demissões de funcionários

Dias após ter anunciado que cortaria mais de 10 mil empregos, a Microsoft já demonstrou que não seguirá no desenvolvimento de dispositivos de realidade virtual e mista. Com isso, o desenvolvimento dos óculos HoloLens estaria estagnado.

HoloLens ganhou maior popularidade no meio profissional (Imagem: Divulgação/Microsoft)
HoloLens ganhou maior popularidade no meio profissional (Imagem: Divulgação/Microsoft)

As demissões representam algo em torno de 5% da força de trabalho da empresa, e o processo de cortes deve seguir até o mês de março. Em comunicado enviado aos próprios funcionários, a Microsoft apontou que pretende “realizar mudanças no portfólio de hardware”, entre outras medidas estratégicas.

Na prática, as decisões já são sentidas em diversas áreas. A AltspaceVR, uma subdivisão de realidade virtual da empresa, anunciou que encerrará suas atividades a partir do dia 10 de março — cerca de seis anos após a aquisição da marca por parte da Microsoft, ocorrida em 2017.

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HoloLens tem futuro incerto

Na mesma onda, a companhia dispensou a equipe responsável pelo MRTK (Mixed Reality Tool Kit, ou Kit de Ferramentas de Realidade Mista, em tradução mista). Trata-se de um conjunto de componentes e recursos utilizados para acelerar o desenvolvimento de aplicações de realidade mista no Unity — uma nova geração do pacote (MRTK3) era esperada para o mês que vem, mas deve ser cancelada.

O MTRK era experimentalmente compatível com diversos dispositivos VR voltados para consumidores, como o Meta Quest e o Steam VR. Além disso, ele era considerado vital para o desenvolvimento do HoloLens, que já tinha um histórico conturbado.

Inicialmente rejeitado pelos gamers mais assíduos, o produto tornou-se mais popular para uso profissional. Por isso, o HoloLens 2 chegou em 2019 completamente sem suporte aos jogos, e com preço bastante alto.

HoloLens ganhou uso militar, o que trouxe uma nova onda de polêmicas (Imagem: Divulgação/Microsoft)
HoloLens ganhou uso militar, o que trouxe uma nova onda de polêmicas (Imagem: Divulgação/Microsoft)

Quase ao mesmo tempo, a Microsoft fechou um acordo de US$ 22 bilhões (cerca de R$ 113 bilhões) com as Forças Armadas dos Estados Unidos. Porém, o acordo gerou polêmicas com a equipe de desenvolvedores, que não queria ver o dispositivo virar instrumento de guerra.

De forma simplificada, essa versão do HoloLens trouxe recursos como a visão noturna e térmica, além de mostrar informações extras aos soldados por meio da realidade aumentada. Na prática, o sistema foi duramente criticado, por emitir luzes demais e limitar o campo de visão dos militares — fatores que podem representar a diferença entre a vida e a morte em um campo de batalha.

Mas e o metaverso?

HoloLens estaria com desenvolvimento parado (Imagem: Divulgação/Microsoft)
HoloLens estaria com desenvolvimento parado (Imagem: Divulgação/Microsoft)

Em geral, é possível interpretar as estratégias da Microsoft como uma grande desconfiança em relação ao futuro das tecnologias do tipo, inclusive do metaverso.

Porém, isso não significa que a realidade é a mesma para o mercado como um todo. A própria Meta ainda coloca altos investimentos na série Meta Quest, e a Apple deve apresentar seu próprio headset de realidade mista ainda neste ano.

Mesmo assim, a onda de demissões também atingiu a empresa de Mark Zuckerberg: em novembro do ano passado, cerca de 11 mil funcionários foram mandados embora. Neste caso, as áreas mais afetadas incluem o desenvolvimento de soluções de AI, plataformas de negócios e publicidade, e recrutamento.

Quanto ao HoloLens, a Microsoft não fez qualquer anúncio oficial em relação ao cancelamento do headset. Porém, vários já entendem este destino como inevitável.

Fonte: Canaltech

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