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Metrô reinicia obras do monotrilho na zona leste de SP

ALFREDO HENRIQUE
·3 minuto de leitura
SÃO PAULO, SP, 27.10.2020 - OBRAS-METRÔ-SP - O Metrô de São Paulo anunciou o início das intervenções na avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na zona leste da capital, para construção de um trecho  da Linha 15-Prata, nesta terça-feira (27). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 27.10.2020 - OBRAS-METRÔ-SP - O Metrô de São Paulo anunciou o início das intervenções na avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na zona leste da capital, para construção de um trecho da Linha 15-Prata, nesta terça-feira (27). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Começaram há quase uma semana as obras de expansão do monotrilho da linha 15-prata, na zona leste de São Paulo. A extensão, a partir da estação Vila Prudente, fará a ligação com a linha 10-turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). A data prevista para a conclusão dos trabalhos não foi informada.

As obras vão mudar a arquitetura da região, pois 18 imóveis terão de ser derrubados, para que as obras tenham continuidade. Um dos imóveis demolidos será a loja de veículos seminovos do empresário Leandro Garcia, 32 anos, que mantém o ponto desde 2016 na avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello.

Por ser locatário do espaço, ele diz ter sido pego de surpresa quando foi informado, no mês passado, sobre a destruição do prédio onde investiu R$ 90 mil. "O oficial de Justiça me entregou a notificação. Agora, a única certeza que tenho é que, entre 30 e 120 dias, posso perder tudo", lamentou.

Garcia disse ainda que vai recorrer judicialmente para ser ao menos indenizado pelos prejuízos decorrentes, segundo ele, da falta de comunicação sobre o processo de desocupação da área. As obras, destacou, começaram no último fim de semana.

Obras O Agora esteve no local das obras entre o meio-dia e 13h desta quinta-feira (29). Alguns tapumes já estavam instalados na avenida, para cercar ferramentas e trabalhadores, que contam, até o momento, com uma retroescavadeira. Por enquanto, os canteiros ocupam poucos metros da parte central da via.

Os trabalhos ocorrem, segundo apurado, entre 8h e 18h. O trânsito ainda não foi impactado pelas obras de extensão, segundo fiscais da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Para outras pessoas que frequentam a região, a extensão do monotrilho pode trazer bons resultados. A vendedora ambulante Beatriz Santos, 22 anos, é uma delas.

A jovem mantém um carrinho de salgados fritos ao lado de um dos acessos à estação Vila Prudente. Ela vende os quitutes no local há mais de dois anos, mesmo período em que decidiu se mudar para a região, por ter conseguido ali garantir uma fonte de renda obtida pelo fluxo de passageiros. "A expansão da linha só vai ajudar a trazer mais clientela para cá. E, se não atrair, não vai prejudicar em nada também", explicou.

Caminhando com pressa, levando em cada uma das mãos um dos filhos gêmeos, de 3 anos, a cozinheira Nalva Macedo afirmou que a única mudança que a expansão do monotrilho irá proporcionar, "nitidamente", será a mudança da paisagem da região. "Vão ser mais trilhos e menos prédios", lamentou.

Resposta O Metrô, da gestão João Doria (PSDB), afirmou não ter concluído ainda o procedimento para a desapropriação de 18 imóveis próximos à obra do monotrilho. Os locais precisarão ser demolidos para que a ampliação da linha 15-prata possa ser viabilizada. "Todos os proprietários foram comunicados previamente pelo metrô e os demais envolvidos serão novamente comunicados com o avanço do processo", diz trecho de nota.

A empresa disse ainda que a ampliação da linha vai beneficiar "dezenas de milhares de pessoas" por dia, possibilitando a integração entre a linha 15-prata e a 10-turquesa da CPTM, "gerando mais rapidez entre a casa e o trabalho para os cidadãos da zona leste."