Mercado fechará em 2 h 57 min

Meteorito misterioso pode ter vindo de um dos maiores objetos do Sistema Solar

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

Recentemente, uma equipe de cientistas liderada pelo Southwest Research Institute estudou uma pequena amostra do meteorito Almahata Sitta (AhS), que caiu no Sudão há mais de dez anos. Ao analisar a composição da rocha, eles podem ter encontrado o possível asteroide que o originou: um grande asteroide de tamanho semelhante a Ceres, um planeta anão.

Na verdade, o objeto já havia sido flagrado pela NASA bem antes de chegar à Terra — tanto que, na época, pesquisadores diversos foram ao deserto do Sudão para coletar material para estudos. Assim, o AhS é um condrito carbonáceo, ou seja, conta com componentes orgânicos, minerais diversos e água: “os meteoritos condritos carbonáceos registram a atividade geológica nas primeiras etapas do Sistema Solar, e trazem informações sobre o histórico dos seus corpos parentais”, explica Vicky Hamilton, principal autora do estudo.

Imagem de micrografia colorida artificialmente, que mostra os inesperados cristais de anfibólio em laranja (Imagem: Reprodução/ NASA/USRA/Lunar and Planetary Institute)
Imagem de micrografia colorida artificialmente, que mostra os inesperados cristais de anfibólio em laranja (Imagem: Reprodução/ NASA/USRA/Lunar and Planetary Institute)

Segundo ela, alguns desses meteoritos têm grande quantidade de minerais que fornecem evidências para a exposição à água a baixas temperaturas e pressões, enquanto a composição de outros meteoritos aponta para o aquecimento na ausência de água. No caso do AhS, a amostra revelou uma composição mineral única: a análise de espectro mostrou a presença de minerais hidratados diversos e, entre eles, o anfibólio, um mineral raro nos meteoritos condritos carbonáceos.

Trata-se de um composto que é mais comum na Terra, mas só foi identificado em quantidades mensuráveis no meteorito Allende, o maior condrito carbonáceo já encontrado. Então, a descoberta do mineral aponta para a ocorrência de temperaturas e pressões intermediárias, além de um período prolongado de alterações aquosas em um asteroide de grandes dimensões — na prática, isso significa que o meteorito surgiu a partir de um asteroide parental que não havia liberado meteoritos antes.

As missões Hayabusa2 e OSIRIS-REx, que coletaram amostras dos asteroides Ryugu e Bennu, respectivamente, podem revelar ainda mais minerais que dificilmente são encontrados em meteoritos. Além disso, a espectroscopia orbital dos asteroides corresponde aos condritos aquosos e alterados, o que sugere que os dois asteroides têm diferenças importantes: “se as composições das amostras da Hayabusa2 e OSIRIS-REx forem diferentes que temos em nossas coleções de meteoritos, pode ser que suas propriedades físicas façam com que não sobrevivam à ejeção, trânsito e entrada na atmosfera da Terra pelo menos no contexto geológico original”.sobreviver aos processos de ejeção, trânsito e entrada pela atmosfera da Terra, pelo menos em seu contexto geológico original ”, finaliza Hamilton.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: