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Metade das negociações de reajuste ficam abaixo da inflação

FERNANDA BRIGATTI
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quase metade das negociações coletivas realizadas entre empresas e trabalhadores em novembro não conseguiram repor a inflação, enquanto menos de 1 em cada 10 acordos terminou em reajuste com ganho real para os funcionários. Segundo dados do Salariômetro, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que analisa dados de convenções e acordos coletivo, 47,4% dos acordos termianram com um reajuste salarial abaixo do INPC, índice de inflação calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ainda que isso não seja uma redução no salário recebido, representa perda no poder de compra do trabalhador. O levantamento também mostra que somente 9,8% das negociações chegaram à concessão de aumento acima da inflação acumulada. Em 42,8% dos casos as negociações terminaram no "zero a zero", ou seja, o reajuste apenas repôs as perdas da inflação deste ano. O reajuste médio aplicado aos salários foi de 4% em novembro. A média dos últimos 12 meses ficou em 3,2%. Segundo a Fipe, os reajustes são um pouco melhores nas convenções coletivas, quando as discussões são realizadas por meio de sindicatos. Nas negociações diretas, que dão origem aos acordos coletivos, as empresas "endurecem o jogo", afirma a entidade no boletim de novembro. Para a Fipe, a situação do mercado de trabalho no fim deste ano indica "cenário complicado à frente". As projeções para o INPC estão acima de 5% em 2021, reduzindo ainda mais as chances de os trabalhadores conseguirem reajustes que superem a inflação. Garantia de emprego deverá ganhar relevância nas mesas de negociações, avalia a fundação econômica. Em novembro, o piso médio ficou em R$ 1.332, acima dos R$ 1.045 do salário mínimo. No ano, esse valor está em R$ 1.332. O fim de ano trouxe também uma reversão da tendência de crescimento do teletrabalho, que ganhou importância neste ano a partir do início da pandemia -a modalidade começa a perder espaço nas negociações. No primeiro semestre do ano, 2.991 acordos e convenções tratavam do assunto. O trabalho realizado fora da empresa estava em 15,8% das negociações do período. No segundo semestre até novembro, o tema aparece em 683 casos, 11,1% do total. O ano da Covid-19 também marca uma queda no número de negociações de data-base, em geral, uma vez que muitas categorias optaram pela renovações de convenções em vigor até que as condições para novas discussões fossem mais favoráveis. Em 2020, 23.393 acordos e convenções coletivas foram debatidos e fechados. No mesmo período em 2019, 25.803 negociações tinham sido encerradas. Em 2018, foram 25.033, e 31.158 em 2017.