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Mesmo trabalhando 24h, Sony teme não atender demanda por sensores de imagem

Rafael Arbulu

Pelo segundo ano consecutivo, a Sony vai fazer sua divisão de semicondutores e sensores trabalhar em operações de 24 horas para produzir sensores de imagem e lentes fotográficas em tempo relativamente hábil para o lançamento de novos smartphones e tablets no mercado global.

Segundo Terushi Shimizu, o chefe da área, a Sony está mais que dobrando seus investimentos no setor, para ¥ 200 bilhões (US$ 2,6 bilhões, ou R$ 10,62 bilhões) para este ano fiscal – destacando principalmente uma nova fábrica, a ser inaugurada em Nagasaki, em abril de 2021.

O problema: mesmo com tudo isso, a empresa pode não dar conta da demanda. “A julgar pelo rumo que as coisas estão tomando, mesmo depois dessa instalação e expansão de nossa capacidade, ainda pode não ser suficiente”, disse Shimizu a uma entrevista à Bloomberg no quartel general da Sony, em Tóquio. “Já estamos até pedindo desculpas para nossos clientes porque não estamos dando conta dessa demanda”.

Um dos principais culpados por essa alta demanda é a tendência das fabricantes de smartphones de incluírem esquemas de câmera dupla, tripla ou mais além em seus modelos mais novos. O número de lentes disponíveis em um aparelho pode ser o diferencial que tira o cliente da “dúvida” e o coloca na “compra”. A Sony, embora não seja mais uma das principais fabricantes do setor, tem em sua divisão de lentes e semicondutores uma linha de frente para atuação nesse mercado: muitos smartphones de outras empresas usam lentes da marca, por isso a demanda de produção dela não diminuirá tão cedo.

Detalhamento do Sony IMX586, um dos sensores mais avançados que a fabricante japonesa já criou: Sony diz que alta demanda por seus sensores fortográficos pode fazer com que a empresa não consiga cumprir com alguns pedidos em 2020 (Imagem: Divulgação/Sony)

Mais além, outros fornecedores, como Samsung e Huawei, que fabricam seus próprios sensores para alguns modelos, estão forçando uma mudança no mercado de lentes, com produtos que trazem, no mínimo, 48 megapixels de resolução – o Mi Mix Alpha, smartphone conceitual que a Xiaomi deve lançar no primeiro trimestre de 2020, por exemplo, traz um sensor Samsung ISOCELL de incríveis 108 megapixels. Esse crescimento em capacidade faz com que a Sony também invista não só em estrutura, mas também em pesquisa e desenvolvimento.

Por um lado, isso é bom: a divisão de semicondutores da Sony é a segunda mais rentável da companhia, perdendo apenas para o PlayStation e a divisão de gaming: a expectativa é que a corporação apresente um aumento em seu faturamento de 18% (¥ 1,04 trilhões) em 2020 – 84% desse crescimento vem da linha de semicondutores. Por outro lado, há uma série de desafios para atender as demandas de um setor que não para de crescer.

A Sony, agora, está se concentrando na expansão de sua capacidade, ao mesmo tempo em que olha para as novas tecnologias. Samsung e Huawei já revelaram smartphones com câmeras 3D, por exemplo, e a Apple, segundo rumores, deve adotar o mesmo preceito na próxima família de iPhones.

A Sony, diz Shimizu, está pronta para cumprir com esse aspecto do mercado, justificando que são eles os diferenciais que movem o consumidor: “Esse [2019] foi o ano-zero do sensor de tempo de vôo. À medida que você começar a ver aplicações interessantes para essa tecnologia, ela vai motivar as pessoas a comprarem mais telefones”.

Fonte: Canaltech

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