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Mesmo fechados, hospitais de campanha do Rio ainda dão despesas ao estado

·3 minuto de leitura
Foto: Divulgação

RIO — Exemplo de mau uso de dinheiro público e sob suspeita de corrupção, o projeto do governo estadual para instalar sete hospitais de campanha destinados a pacientes com Covid-19 ainda causa prejuízos. O Fantástico, da TV Globo, mostrou que todos os equipamentos e materiais das duas únicas unidades estaduais que funcionaram — São Gonçalo e Maracanã — foram levados para um depósito após o fechamento. O aluguel do espaço custa R$ 1 milhão por mês. A reportagem analisou 70 contratos firmados com base na lei que autorizou o poder público a fazer compras sem licitação durante a pandemia.

A equipe do Fantástico entrou no galpão alugado desde agosto, onde estão de cobertores a respirados ainda nas caixas. Indícios de corrupção e superfaturamento em compras milionárias feitas pelo governo do Rio são investigados pelo Ministério Público e levaram ao afastamento do governador Wilson Witzel (PSC), que responde a um processo de impeachment conduzido por um tribunal misto de deputados e desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio. Devido às denúncias, o então secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, chegou a ser preso e se tornou delator.

O atual secretário de Saúde, Carlos Alberto Chaves, cancelou todos os contratos assinados por Edmar Santos. A reportagem do Fantástico mostrou que alguns produtos adquiridos pela administração do ex-secretário, junto com o então subsecretário executivo Gabriell Neves, mostram o descaso com o dinheiro público: foram comprados, sem licitação, mais de quatro milhões de frascos de soro fisiológico e glicosado, por R$ 20,9 milhões — quantidade suficiente para abastecer as 11 unidades de Saúde administradas pelo governo por mais de 60 anos. A validade do produto, no entanto, é de dois anos.

Ainda foram adquiridos, por R$ 9 milhões, 50 mil testes rápidos de Covid-19 que também estão em um depósito desde junho de 2020. Por não terem a eficácia comprovada pela Vigilância Sanitária do estado, os exames não podem ser usados ou vendidos. Cada um custou R$ 180, ou seja, o dobro de um teste de farmácia semelhante.

O maior gasto em investigação é o que foi feito com os sete hospitais de campanha. O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) foi contratado por R$ 835,7 milhões para instalar e administrar as unidades, com 1,4 mil leitos. Um terço do valor foi pago à OS, mas apenas duas unidades foram entregues. Em meio a escândalos, o então governador Wilson Witzel determinou seu fechamento e a transferência dos pacientes.

O acordo entre o governo e o Iabas, aliás, é um capítulo à parte. Além de a OS ter sido contratada sem concorrência pública, alguns funcionários até hoje não foram pagos. A organização também é acusada de ter entregado equipamentos sem condições de uso, como 20 dos respiradores quebrados, alguns com mais de 20 anos de uso.

A empresa TotalMed, fornecedora dos testes rápidos que estão no depósito, diz que “a contratação ocorreu no auge da pandemia e da notória escassez de insumos”, acrescentando que renegociou o contrato com a Secretaria de Saúde e doou 20 mil testes adicionais, afirmando não haver “hipótese para superfaturamento”.

Já o Iabas defende que “todos os equipamentos entregues foram inventariados por empresa especializada, todos em perfeito funcionamento”, e que deixou de pagar aos funcionários depois que os repasses do governo foram suspensos.

Edmar Santos não quis se manifestar, e a defesa de Gabriell Neves diz que “todos os contratos que ele assinou respeitaram estrita legalidade”. O ex-governador Wilson Witzel afirmou que afastou os suspeitos de ilegalidade e disse que os motivos de seu afastamento e do processo de impeachment são “políticos”.