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Mesmo com prioridade, atletas paralímpicos não sabem se conseguirão se vacinar antes de Tóquio-2020

Carol Knoploch
·4 minuto de leitura

Ansiedade e incerteza. Faltando pouco mais de cinco meses para a Paralimpíada de Tóquio, este é um sentimento comum a muitos atletas paralímpicos brasileiros, que ainda não sabem se conseguirão se vacinar contra a Covid-19 a tempo dos Jogos — marcados entre 24 de agosto e 5 de setembro — mesmo fazendo parte de grupos de risco e com prioridade para receberem a imunização. Não há ainda previsão de data para a vacinação dos grupos com comorbidades e deficientes permanentes, segundo o cronograma federal.

— No ritmo que as coisas estão, acho que não conseguirei me vacinar antes dos Jogos, infelizmente. Ainda tem muitos profissionais de saúde e idosos que precisam mais do que eu. Tento não pensar nisso — diz a nadadora Maiara Barreto, de 33 anos, prata no Parapan de Lima, em 2019 (50m costas, classe S3). — Quero focar em conseguir o índice, mas confesso que essa questão me deixa ansiosa.

Maiara, que ficou tetraplégica após um acidente de moto em 2009, tem quadro pulmonar comprometido como uma das consequências da lesão. Ela redobrou os cuidados com a higiene. Como precisa de ajuda para empurrar sua cadeira de rodas, fica mais exposta.

— Também por esta questão, a vacina me deixaria mais tranquila. Mas vivemos um cenário incerto, sem vacina suficiente, as coisas mudando a toda hora. O que vai acontecer até agosto?

Segundo o Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19, Maiara tem prioridade por causa da “limitação motora, que causa grande dificuldade ou incapacidade para andar e subir escadas” segundo atualização do Ministério da Saúde. No último dia 19, o grupo de “pessoas com deficiência grave” foi alterado para “pessoas com deficiência permanente” e teve especificações divulgadas. Ganhou mais de 7,7 milhões de pessoas, entre surdos, cegos, com limitação motora e deficiências intelectuais.

O grupo de “comorbidades” contempla quadros de pneumopatias crônicas, hipertensão, síndromes coronarianas, arritmias cardíacas, doença real, entre outras.

Ricardinho, camisa 10 do Brasil no futebol de 5, para cegos, terá preferência. Ele diz, no entanto, que não se sente prioridade no momento atual. Seu único “porém” é a provável convocação para a seleção pentacampeã mundial e tetracampeã paralímpica. Ele é o melhor do mundo da modalidade e o Brasil já tem vaga garantida em Tóquio.

— Acredito que mesmo que eu use o tato para “enxergar”, não sofro com questões importantes de saúde. Tenho sido cauteloso para evitar o contato das mãos no rosto. E acho que tem mais gente precisando do que eu — disse Ricardinho, para quem a imunização deveria ser exigida pela organização dos Jogos. — Se não fosse pela viagem a Tóquio, acho que não precisaria de prioridade.

A vacinação segue fila de prioridades e o Ministério da Saúde explicou, em nota, que as datas são divulgadas conforme a disponibilidade dos imunizantes. Mas não informou qual a previsão nem os lugares na fila dos grupos citados na matéria.

O total de beneficiados em todos os grupos prioritários passa dos 77 milhões.

Em nota, o Comitê Paralímpico do Brasil (CPB), que espera ter 230 atletas em Tóquio, afirmou que acompanha o plano de vacinação no país e não quis comentar sobre a imunização a tempo dos Jogos.

Edênia Garcia, de 33 anos, nasceu com a síndrome Charcot-Marie-Tooth e tem os movimentos da cintura para baixo e de parte dos membros inferiores e superiores comprometidos. Cadeirante, se preocupa com o contato das mãos e os pneus.

— Acabei de fazer checkup e estou ótima de saúde. Estou nessa lista mesmo assim? — pergunta Edênia, que, no entanto, gostaria de se vacinar para Tóquio. — Queria ver uma luz no final do túnel antes de agosto. Não me sentiria segura de competir num local em que várias pessoas não estarão vacinadas. Eu, inclusive. Não é só sobre mim. É sobre todos.

Treinos no CT do CPB

A nadadora, dona de três medalhas olímpicas, é a atual campeã mundial nos 50m costas (S3) e já tem vaga assegurada para Tóquio.

Ela e cerca de 50 atletas voltaram a treinar no CT do CPB, em São Paulo, em agosto, respeitando protocolos sanitários rígidos, com testagens a cada 15 dias e horários escalonados por modalidade. A entidade informou que, desde então, apenas um atleta teve caso positivo, foi isolado, e não houve contaminação.

Entre os que têm autorização para treino, está Susana Schnarndorf, cuja baixa capacidade respiratória é consequência da síndrome de Shy-Drager. Ela diz que demorou muito tempo para conviver com suas limitações e com o fantasma da piora de seu quadro. De 2005, quando surgiram os sintomas, a 2010, quando começou no esporte, projetava os piores cenários. Por isso, lida com a possibilidade de vacinação para a Covid-19 sem grandes expectativas:

— Eu não vivo na paranoia. Demorei para conviver com a minha doença. Ainda tenho medos e preciso viver um dia de cada vez. Penso o mesmo em relação ao novo coronavírus. Não ficarei monotemática, falando e desejando a vacina.

Susana, de 53 anos, tem índice para os 150m medley (S4) mas precisa ratificá-lo. Otimista, ela acredita que os Jogos terão protocolos rígidos:

— Se tiver de viajar para Tóquio com medo, vou com medo. A natação é a minha vida.