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Musical sobre Clara Nunes com Vanessa da Mata estreia na internet antes de chegar ao teatro

·4 min de leitura

RIO — As cortinas se fecharam em março do ano passado, início da pandemia: o isolamento social era questão de sobrevivência. Mas quem era do teatro precisava resistir. Muitos diretores, como Victor Garcia Peralta, levaram para o on-line espetáculos até então presenciais. O monólogo “Não sou feliz, mas tenho marido”, protagonizado por Zezé Polessa, cuja direção é assinada por ele, foi exibido ao vivo no YouTube. Mesmo com a liberação da lotação máxima em casas de espetáculo pela prefeitura esta semana, diante do arrefecimento da pandemia, Peralta acredita que “o formato híbrido veio para ficar”:

— O on-line é muito bom, chega onde uma turnê não alcançaria, pelos custos. E dá chance a quem ainda não se sente à vontade para ir ao teatro — observa o morador da Gávea, para quem espetáculos que estão por estrear presencialmente, como “Julgamento da cadela”, em que dirigirá Vera Fischer, podem ser transmitidos ao vivo.

A diretora Alessandra Gelio começava a dar uma oficina de montagem teatral na Universidade Candido Mendes quando veio a pandemia. As aulas, de repente, passaram a ser pelo Zoom, assim como seus espetáculos, que estavam previstos para serem encenados presencialmente. Como “Romeu e Julieta.doc”, uma peça-documentário em que os personagens da tragédia de Shakespeare contam suas próprias versões dos acontecimentos. Também fez o espetáculo “Abuso”, baseado em histórias reais de mulheres vítimas de violência sexual.

— Conseguimos conquistar uma relação de intimidade com o público. Ao final, muita gente abria a câmera para relatar episódios pessoais — conta a moradora de São Conrado.

Agora, ela se prepara para encenar a peça “AlcoóliKa”, que acompanha sessões de terapia de uma mulher viciada em álcool que não reconhecia a dependência. A estreia está agendada para 20 de novembro, às 20h; e a transmissão será pelo YouTube. Ingressos à venda por R$ 25, no Sympla.

— Ao contrário do cinema, o teatro é ao vivo e permite a interação do público. Quero oferecer a possibilidade de o espectador fazer perguntas para a paciente em tempo real, via chat — diz.

‘A web eterniza o que foi feito’

Quando veio a pandemia, o diretor Jorge Farjalla quase teve um troço, conta. Estava em cartaz no teatro, tinha uma estreia prevista para um mês depois e uma viagem para Nova York, onde montaria um monólogo sobre Maria Callas, logo na sequência. Na impossibilidade de seguir com seu ofício nos moldes a que estava acostumado, após sonhar com uma lâmpada acesa num palco, entendeu que o teatro não tinha acabado e ligou para a amiga Leticia Spiller. Juntos, fizeram o espetáculo “Ensaio.Hamlet.Máquina”, transmitido em junho do ano passado pelo Instagram.

— Fomos entendendo o lugar de o teatro acontecer na internet— conta Farjalla, morador do Leblon.

Com o artista plástico e cenógrafo Gustavo Krelling, fez a websérie teatral “O fantástico ateliê do Gu”, que conta a história da arte de forma lúdica e foi disponibilizada no YouTube. Agora, prepara-se para dirigir o musical “Clara Nunes — A tal guerreira”, com Vanessa da Mata. O espetáculo será exibido em uma plataforma digital, com venda de ingressos pelo Sympla, antes de entrar em cartaz presencialmente.

— Filmar o teatro e jogar na web eterniza o que foi feito — acredita Farjalla.

A diretora Cristina Fagundes testou todos os limites do teatro na pandemia. Fez dramaturgia ao vivo no Instagram no “Clube da Cena Lives”, com 43 atores se revezando. O público podia dar comandos para modificar a intenção das cenas via comentários em tempo real.

— Era engraçado porque estávamos acostumados a ouvir aplausos e, de repente, passamos a receber emojis — diz a moradora do Humaitá.

Cristina fez também a metalinguística “Bastidores”, sobre um grupo de atores que estava criando uma peça para ser exibida pelo Zoom pela primeira vez. A transmissão foi pela plataforma digital, e a venda de ingressos, pelo Sympla. Em maio, no auge da pandemia, ela encenou, diante de dez teatros, o “Não-Espetáculo — O teatro possível”, um protesto contra a falta de políticas culturais.

Outra forma de protesto foi a exposição “Atores de teatro — Antes da extinção do teatro no Brasil em 2020”, nos Jardins do MAM, em julho. Agora, ela lança micropeças sob encomenda, que podem ser contratadas através do seu Instagram (@cristinafagundes100) e serão encenadas para até cinco pessoas em locais como a Lagoa ou a orla do Leme.

— Muita gente ainda sente desconforto, um medo natural de ir ao teatro. Mas estamos todos com saudades. Estou descobrindo como fazer o teatro não cessar com segurança para todos — diz.

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