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Mesmo antes de domínio da China, Hong Kong nunca foi uma democracia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Há 25 anos, o jornal Folha de S.Paulo trazia em destaque, no alto da primeira página, a notícia: "Hong Kong voltou ao controle da China (...) após 156 anos de domínio britânico. O território, que poderá manter o sistema capitalista e autonomia administrativa por 50 anos, recebeu 4.000 militares".

O evento marcou o fim do Império Britânico, na avaliação de historiadores do período, além da libertação mais significativa do colonialismo para a China, depois de sucessivas guerras contra potências ocidentais e perdas de território que definiram a política de Pequim dali em diante.

A promessa de autonomia por 50 anos, assinada em tratado por China e Reino Unido, no entanto, não foi cumprida, e antes que a devolução completasse 25 anos o regime comunista já tinha sufocado grupos e dissidentes políticos que protestavam por democracia na cidade.

A verdade, porém, é que Hong Kong nunca foi uma democracia na prática, nem hoje nem nos tempos de dominação britânica, quando os governantes eram escolhidos pelo monarca do Reino Unido, não por eleitos pela população local --neste período, porém, os moradores gozaram de certa liberdade de expressão e de imprensa, aspectos que têm sido suprimidos sob o domínio chinês.

A história de Hong Kong em geral é contada a partir do começo do século 19, quando os britânicos passaram a usar a região como porto de navios que descarregavam ópio --antes disso, a área era ocupada por comunidades de pescadores. China e Reino Unido entraram em guerra após Pequim tentar conter no país o comércio da droga, que gerava uma legião de viciados. Com a vitória britânica na Primeira Guerra do Ópio, em 1842, que marcou o início do chamado "século da humilhação" para os chineses, os dois países assinaram o Tratado de Nanquim, que cedia a soberania da região para o Reino Unido.

Acordos posteriores, considerados injustos pelos chineses, ampliaram o domínio britânico a dezenas de ilhas, até que em 1898 os dois governos acertaram que a ocupação valeria apenas por 99 anos e que depois as terras seriam devolvidas à China, o que de fato ocorreu em 1997.

O período, porém, foi turbulento, e o colonialismo britânico nunca deixou de ser questionado. Em 1925 e 1926, por exemplo, uma greve geral foi convocada contra o racismo por parte dos colonizadores, após tropas de indianos sikhs, a serviço dos britânicos, abrirem fogo contra manifestantes chineses em Xangai.

Em 1966, uma série de protestos que começou contra o aumento das tarifas de balsas e logo se voltou contra o império reuniu multidões nas ruas de Hong Kong. Um ano depois, em 1967, mais de 30 manifestações, a princípio convocadas por melhores condições de trabalho, deixaram mais de 50 mortos e 800 feridos, além de quase 5.000 presos e 2.000 condenados.

Nesse meio tempo, outro evento amargou a história pouco democrática da cidade. Em 1941, durante a Segunda Guerra e em meio à invasão da China, iniciada poucos anos antes, o Japão afugentou os britânicos e tomou o controle de Hong Kong por quase quatro anos, até 1945, quando foi derrotado.

Historiadores estimam que 10 mil mulheres tenham sido estupradas só nos primeiros dias de dominação japonesa. Entre 1941 e 1945, a população de Hong Kong caiu de 1,6 milhão para 600 mil pessoas, de acordo com estudiosos do período. Com a derrota dos japoneses, Hong Kong voltou a ser colônia britânica. Esse termo, porém, tem sido questionado pelo regime comunista em Pequim e estará fora dos livros didáticos locais no ano letivo que começa em agosto, segundo a imprensa local.

Os novos materiais de história trazem outra versão: a cidade nunca foi uma colônia do Reino Unido, mas ocupada por uma nação invasora --o que desconsidera os tratados assinados pelo império chinês.

"A agressão britânica violou os princípios do direito internacional, de modo que sua ocupação não deveria ter sido reconhecida como legal", diz trecho de um livro a professores visto pelo New York Times.

Colônia ou não, fato é que só em 1985 China e Reino Unido chegaram a um acordo para a devolução do território, dali a 12 anos, quando ganhou status de região administrativa especial e a promessa de que teria a autonomia respeitada até 2047 --o que, outra vez, não tem sido garantido aos honconguenses.

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