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Mercados reagem a ações de BCs globais e expectativa por pacote nos EUA

Roberta Costa e Marcelo Osakabe

Os mercados de ações operam em recuperação parcial do tombo de quinta-feira – o pior dia desde segunda-feira negra de 1987. O temor com os efeitos do coronavírus sobre a economia global atingiu quase todas as classes de ativos, antes de encontrar algum tipo de piso hoje, já que as esperanças se voltaram para ações do governo dos Estados Unidos. Houve indicações de que democratas e republicanos poderiam concordar em breve com um pacote de estímulos.

Na Europa, o índice Stoxx Europe 600 ganhava 5% pouco antes de 11h45, depois ter vivido seu pior dia em toda sua história, caindo 11%. A venda generalizada fez com que autoridades europeias proibissem hoje vendas a descoberto de das ações italianas e espanholas listadas na Bolsa de Londres. A Bolsa Italiana e a CNMV da Espanha promulgaram uma proibição similar de ações nesses países nesta manhã. Os mercados de Milão e Madri registravam forte valorização.

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Nos Estados Unidos, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq tinham elevação de mais de 3%. Algumas das perdas mais profundas da Ásia foram amenizadas ao fim da sessão desta sexta-feira, na qual a liquidez apertada exagerou os movimentos. O índice Nikkei, que abriu em queda de 10%, fechou a jornada com baixa de 6%.

Richard Drew/AP

Ontem, nos EUA, após um dia de intensas negociações entre Nancy Pelosi e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, a presidente da Câmara dos Representantes disse a repórteres que foram resolvidas "a maior parte das diferenças" e que a Câmara votaria na sexta-feira medidas relacionadas à pandemia “de uma maneira ou de outra”.

Também hoje, o banco central da Noruega cortou o juro e começou a conceder crédito barato aos bancos, numa tentativa para mitigar o choque econômico do coronavírus e da queda do preço do petróleo. O BC da China, por sua vez, cortou o índice de reserva dos bancos, o que deve liberar 550 bilhões de yuans (US$ 79 bilhões) em liquidez ao mercado. Além disso, BC da Suécia e o Banco do Japão anunciaram medidas para lidar com as consequências do coronavírus e para garantir a liquidez do sistema bancário.

Na quinta-feira, os índices em Wall Street registraram quedas expressivas, com o Dow Jones perdendo 10%, apesar da decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de fornecer US$ 1,5 trilhão aos bancos em liquidez no mercado “repo” na quinta-feira. Apesar de não ter cortado as taxas de juros, o Banco Central Europeu (BCE) também anunciou uma série de medidas que incluem uma expansão temporária do programa de compra de obrigações e empréstimos para bancos com taxas de juro mais baixas que a depósito.

As moedas emergentes também devem ter um pregão de recuperação após as fortes desvalorizações ocorridas na quinta-feira.

O petróleo e os rendimentos soberanos também se recuperam nesta manhã. Na agenda, há apenas os dados de preços de importados e confiança do consumidor nos EUA.