Mercados da Europa encerram negócios em direções opostas

As bolsas europeias fecharam em direções divergentes pela segunda sessão consecutiva, após alguns mercados terem se recuperado das fortes baixas provocadas pela situação política da Itália no início da sessão. Os bancos pressionaram as bolsas para baixo e Milão liderou as perdas do dia. O otimismo em relação a um acordo sobre o abismo fiscal, no entanto, deu fôlego para a recuperação das bolsas.

O índice pan-europeu Stoxx 600 ganhou 0,14% e fechou a 279,55 pontos, maior valor de fechamento desde maio de 2011. O índice atingiu baixa de 277,45 durante a sessão.

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, declarou no sábado que planeja renunciar quando o orçamento italiano de 2013 for aprovado, dificultando os esforços para resolver a crise da dívida da zona do euro e injetando ainda mais incerteza política ao contexto. O anúncio ocorreu depois que o partido do ex-líder do país Silvio Berlusconi deixou de apoiar o governo tecnocrata atual. Berlusconi também indicou que deseja voltar à política. O atual mandato parlamentar deveria acabar no final de

abril de 2013, mas a renúncia de Monti deverá acelerar a volta às urnas.

Os dados econômicos da Itália também contribuíram para o sentimento negativo nos mercados. O Produto Interno Bruto (PIB) da Itália caiu 0,2% no terceiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, e recuou 2,4%, na comparação anual, de acordo com dados finais do Instituto Nacional de Estatísticas (Istat).

A Grécia também entrou no radar dos investidores, após anunciar uma extensão de um dia no seu plano de recompra de dezenas de bilhões de euros em dívida, medida exigida pelo credores oficiais do país em troca de uma nova ajuda, depois que as ofertas iniciais da semana passada ficaram abaixo da meta. O novo prazo para ofertas, que havia sido estabelecido anteriormente para sexta-feira passada, será estendido até às 10h (de Brasília) de terça-feira (11).

Em meio a esse cenário de incertezas, as bolsas europeias reduziram suas perdas após serem contagiadas pelo otimismo das bolsas de Nova York em relação a um acordo para o abismo fiscal nos Estados Unidos, uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos que entrarão em vigor no começo do ano que vem, caso não haja acordo no Congresso.

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, encontraram-se na Casa Branca e disseram que as "linhas de comunicação continuam abertas". "O otimismo em relação às conversas de ontem entre Obama e Boehner empurraram as bolsas", disse a Alpari UK.

O índice DAX da Bolsa de Frankfurt avançou 13,12 pontos (0,17%), fechando a 7.530,92 pontos. A Bolsa de Paris avançou 6,49 pontos (0,18%), fechando a 3.612,10 pontos. O Credit Agricole registrou a maior queda do dia, de 2,6%, com pressões da Itália e o rebaixamento pelo Goldman Sachs. O índice FTSE, da Bolsa de Londres, também fechou em alta, ganhando 7,23 pontos (0,12%) e fechando a 5.921,63 pontos.

Já o índice PSI-20, da Bolsa de Lisboa, perdeu 0,64%, fechando a 5.401,36 pontos. A Bolsa de Madri caiu 0,56%, fechando a 7.804,40 pontos, com destaque para Bankia e Caixabank, que perderam 2,7% e 2,0%, respectivamente.

A Bolsa de Milão perdeu 2,20% e fechou a sessão a 15.354,01 pontos, com o Banca Monte dei Paschi di Siena liderando as perdas após recuar 5,8%. As informações são da Dow Jones.

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