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Mercado vê juro acima de 13% em 2022 e alavanca dólar após Copom; fiscal preocupa

·4 min de leitura
Fachada do Banco Central, em Brasília

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas de juros de cabeça de ano a partir de 2023 voltavam a mostrar um rali nesta quinta-feira, com operadores exigindo mais prêmio de risco conforme entendem que os juros terão de subir mais após na véspera o Banco Central entregar aperto monetário aquém do precificado em contratos derivativos.

A alta de 1,50 ponto percentual da Selic anunciada pelo Bacen na noite de quarta --a mais forte desde 2002-- ficou em linha com as previsões de vários analistas de departamentos econômicos, mas veio abaixo da precificação da curva de DI, que na tarde de terça apontava 56% de probabilidade de aumento de 1,75 ponto.

Isso fazia a taxa do vencimento janeiro de 2022 --que concentra apostas para o rumo da Selic entre hoje e o fim de dezembro de 2021-- cair 10,6 pontos-base, a 8,314% ao ano. Nesse preço, esse DI projetava alta de 1,56 ponto percentual na Selic no encontro do Copom de dezembro, abaixo do número perto de 1,70 ponto mostrado na véspera.

Mas o alívio no trecho mais curto era o outro lado da moeda da pressão nos vencimentos seguintes. Em alta de 26 pontos-base, o DI para janeiro de 2023 --que reflete expectativas para a trajetória da Selic de hoje ao fim de 2022-- já apontava Selic bem acima de 12% em dezembro do ano que vem.

Taxas a termo de swap DIxPré --outra medida da estrutura da curva de juros-- mostravam juro médio acima de 13% em julho de 2022.

A subida dos juros médios "conversa" com nova revisão para cima nas estimativas para a Selic terminal por parte de algumas casas.

O Morgan Stanley elevou a 11% o prognóstico para o juro ao fim do ciclo, expressiva alta frente aos 9,25% previstos antes, e considerou o tom do BC "dovish" (menos duro na política monetária), o que explicaria a visão de que o Bacen terá de correr e adicionar mais juros no ano que vem dado o movimento menos agudo agora.

"Esta mudança responde à necessidade de conter a alta nas expectativas de inflação decorrente do enfraquecimento das regras fiscais, bem como às pressões inflacionárias adicionais oriundas de um real mais fraco", disseram no relatório os economistas André Loes e Thiago Machado e a estrategista Ioana Zamfir.

Os efeitos da sinalização do Bacen, segundo os profissionais, vão se estender ao câmbio, uma vez que a autoridade monetária não apenas não chancelou apostas do mercado como tampouco indicou aceleração adicional no passo de restrição monetária.

"Por sua vez, isso sugere mais pressão de curto prazo para a moeda, especialmente à medida que nossas métricas de avaliação sugerem que os prêmios de risco permanecem baixos e o posicionamento permanecia um pouco neutro", completaram, vendo, nesse caso, reforço nas intervenções cambiais pelo BC.

O Morgan mantém posição no mercado de opções que considera chances de o dólar bater 5,90 reais.

O dólar à vista saltava 1,3% nesta quinta, voltando a cruzar a linha dos 5,60 reais. O real tinha o pior desempenho global nesta sessão, afetado também por dúvidas sobre a votação da PEC dos Precatórios.

Também em relatório, o Barclays avaliou ser improvável que o mercado abrande a previsão para a taxa de juros terminal, devido aos riscos fiscais e inflacionários.

Logo após a decisão do BC, o Barclays elevou a projeção de taxa Selic terminal de 9,75% para 10,50%, e também citou efeitos da sinalização do BC na política monetária sobre a taxa de câmbio.

A instituição financeira disse que a maior parte da depreciação cambial das últimas semanas é explicada pela deterioração dos fundamentos das contas públicas, o que foi capturado pelo componente local do modelo de câmbio do Barclays.

"Isso sugere que o real pode permanecer sob pressão no curto prazo, apesar da alta de juros pelo BC/da taxa de retorno mais elevada, uma vez que o câmbio e, em certa medida, a política monetária agora são movidos por preocupações fiscais."

O diretor de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, considerou o comunicado da decisão de política monetária do Copom "dovish" --ou seja, menos duro com os riscos à inflação.

Dados os sinais emitidos pelo Bacen, o Goldman Sachs espera outra elevação de 1,50 ponto no juro em dezembro, para 9,25% ao ano, com a taxa terminal ficando entre 10,75% e 11% no primeiro trimestre de 2022.

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