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Mercado de soja não tem espaço para quebra de safra e cenário favorece SLC, diz CEO

Roberto Samora
·4 minuto de leitura

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado global de soja, que está nos maiores patamares em quase sete anos após safras frustradas, deve seguir sustentado nas próximas temporadas, exigindo expansão de área plantada além de ganhos de produtividade e clima favorável, diante da forte demanda, avaliou o presidente-executivo de uma das maiores companhias agrícolas do Brasil.

Segundo Aurélio Pavinato, que está no comando da SLC Agrícola, o cenário de preços também favorece a empresa do ponto de vista do câmbio, e a companhia espera capturar integralmente a força do dólar frente ao real nas próximas safras, uma vez que trava seus custos antecipadamente.

"A demanda continua crescendo e vai continuar crescendo. A produção vai ser capaz de atender a esse consumo? Em condição de clima normal, vai. Vai demandar expansão de área, não somente aumento de produtividade e clima normal para atender essa demanda", afirmou Pavinato, em teleconferência para comentar os lucros de 2020.

Ele comentou que a produção "não tem atingido o seu objetivo", diante de quebras de safras nos maiores produtores, como Brasil, Estados Unidos e Argentina, e "isso tem colocado pressão sobre os preços".

A cotação da soja na bolsa de Chicago atingiu um patamar acima de 14,40 dólares por bushel recentemente, valor não visto desde junho de 2014 no mercado que é referência global, com asiáticos, não somente a China, elevando a demanda.

"O Brasil está expandindo 1,5 milhão de hectares (de soja em 2020/21) para atender a demanda... mas não tem espaço para quebra de safra. Se for safra normal, cheia, ok, o preço talvez siga o que está colocado na tela hoje, preço 'spot' 14 (dólares), futuro está 12. Talvez volte para 11, 12 o preço spot", comentou.

Em eventual nova quebra de safra, os preços devem se sustentar nos patamares de hoje, acrescentou o executivo, ressaltando que comentário referente ao mercado de soja vale para o milho. "O milho está conectado com a soja, as culturas disputam área nos Estados Unidos", comentou.

Na mesma linha, ele ressaltou que fica mais difícil de o algodão "comprar" área de soja e milho, especialmente nos EUA.

"A recuperação dos preços dos grãos dá suporte ao algodão. O preço alto de soja e milho faz com que o produtor plante mais nos EUA. Mesmo que o algodão esteja mais alto, ele não tem poder de comprar expansão", disse, também prevendo cotações firmes para a pluma, outro importante produto da SLC.

Sobre o algodão, cujos preços estão acima de 80 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, Pavinato admitiu que a recuperação em plena pandemia foi uma "surpresa", que acabou ocorrendo também por safras menores no hemisfério norte, e agora por uma recuperação do mercado de petróleo, que melhora a competitividade da pluma ante a fibras sintéticas.

"É uma novidade muito boa para o nosso negócio. Para nós, algodão acima de 60 centavos é bom preço, acima de 80 é excelente."

CAPTURA DO CÂMBIO

Com a colheita de soja da safra atual (2020/21) já finalizada e resultados dentro da meta em Mato Grosso, apesar dos problemas climáticos que afetaram o setor, Pavinato ressaltou que a empresa já começa a se preparar para próxima temporada, quando espera manter "margens em níveis elevados".

"Já começamos a desenhar a safra 21/22, com compra de insumos, onde estamos tendo reduções relevantes no preço em dólar se comparado à safra atual...", disse ele.

"(A temporada) 2021/22 está se desenhando uma safra muito boa, cenário de fixações de preços iguais ou melhores que a safra atual em dólar, capturando a câmbio de forma integral", disse, acrescentando que a captura da desvalorização cambial foi parcial em 2020.

Os executivos comentaram que não há novidades em relação a aquisição de ativos da rival Terra Santa Agro, cujo "closing" da operação é esperado para meados do ano.

O diretor financeiro da SLC, Ivo Brum, disse que a prioridade da empresa é a aquisição da Terra Santa, que envolverá investimentos posteriores não somente em máquinas, mas também em treinamento de pessoal --cerca de mil funcionários devem vir junto com o negócio.

Ele ressaltou que a alavancagem da companhia é baixa, fechando 2020 abaixo de uma vez na relação dívida líquida/Ebitda ajustados. Por último, ele lembrou que a companhia tem uma política de dividendos "agressiva", pagando 50% de lucro líquido mais Juros sobre Capital Próprio (JCP), e não descartou recompras ao ser questionado, mas disse que prefere aguardar a ação reprecificar.