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Mercado pega carona no exterior e dólar fecha em baixa

Lucas Hirata

Depois da ampla busca por proteção nos últimos dias, o mercado brasileiro aproveitou o ambiente mais favorável a ativos de risco no exterior para reduzir parte da pressão no dólar. A moeda americana fechou em baixa nesta segunda-feira, mas ainda contou com diversos momentos da instabilidade e chegou a testar ligeiras altas durante a sessão.

No penúltimo dia de um semestre tão conturbado, o dólar comercial registrou queda de 0,64%, aos R$ 5,4258, tendo oscilado entre a máxima de R$ 5,4709 e a mínima de R$ 5,3937. Com esse resultado, o dólar caminha para atingir mais um mês de alta contra o real neste ano, cuja única exceção para essa tendência foi vista em maio.

Assim o dólar avança 35,31% no semestre até o momento, no que tende a ser o maior salto para a primeira metade do ano desde a desvalorização do real em 1999 que foi conduzida na transição para o regime de câmbio flutuante. Vale dizer que, com esse salto do dólar no ano, o real tem o pior desempenho do semestre entre as principais divisas do mundo.

Isso mostra que o real carrega um prêmio de risco mais elevado que outros pares emergentes, no entanto os investidores veem com restrições possíveis posições na moeda brasileira, já que outros ativos – como bolsa e juros – parecem ter teses de investimento mais sólidas, enquanto o câmbio serve para operações de hedge em um cenário marcado por incertezas.

Para Adriano Cantreva, sócio da Portofino Investimentos, o humor global melhorou um pouco neste começo de semana, à medida que os investidores já assimilaram o aumento do numero de casos da covid-19 e novas restrições de algumas regiões nos Estados Unidos.

No entanto, ele alerta que o mercado como um todo deve seguir volátil “dado que estamos longe de uma solução para a situação e os ativos se alternam entre euforia e pessimismo”. Em relação ao real, ele afirma que mantém uma posição neutra.

Daniel Acker/Bloomberg