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Mercado inexplorado será decisivo para fintechs, diz sócia da PwC

Rodrigo Carro e Gabriel Vasconcelos

Para Claudia Eliza, sistema bancário brasileiro deve caminhar na direção do que acontece atualmente na China A sócia da PwC Claudia Eliza afirmou nesta quarta-feira que o sistema bancário brasileiro deve caminhar na direção do que acontece na China, onde se usa cada vez mais celulares e QR codes para pagamentos, em detrimento de cartões de créditos e dinheiro em espécie. Essa mudança, afirma Claudia, abre importante flanco para fintechs.

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Na visão de Cláudia, que participou do seminário “Precisamos falar sobre juros”, promovido pela Febraban e pelos jornais “O Globo” e Valor, o desenho do mercado brasileiro também propiciará um rápido avanço dessas empresas.

Ela lembra que, embora o sistema financeiro brasileiro seja considerado moderno, existe forte concentração, com 71% do crédito dominado por cinco grandes bancos. Nesse contexto, 45 milhões de pessoas ainda não têm acesso a crédito, um mercado potencial de R$ 800 bilhões a ser ocupado justamente pelas fintechs.

“Hoje temos um mercado bem interessante para explorar, formado pelos brasileiros que estão na informalidade e não têm acesso a crédito”, diz. “É aí que as fintechs podem entrar”, completa. Segundo a sócia da PwC, o fenômeno já está no radar do Banco Central (BC), que tem trabalhado pela regulamentação das fintechs.

Além do mercado inexplorado, Claudia lembra que a mudança de hábitos e a entrada da tecnologia, em cuja fronteira estão as fintechs, contribuirão decisivamente para a consolidação dessas empresas.

“Sete a cada dez brasileiros hoje ainda usam dinheiro em espécie em suas transações. Na China já não usam dinheiro e não tem mais cartão de crédito. Tudo é feito no celular com QR code. Acredito que o Brasil vai migrar para esse modelo chinês, o que vai ser bem interessante”, afirma.