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Mercado de finanças aposta em customização de linguagens "próprias"

É muito comum que empresas de serviços financeiros tenham linguagens de programação próprias, como é o caso do Slang, um sistema de thread bastante particular, criado antes mesmo do Python, pelo grupo Goldman Sachs. A+, antecessor do K, muito usado atualmente, foi concebido por cientistas da computação que batiam ponto pela Morgan Stanley.

Diferente dos bancos supracitados, a corretora de ações Jane Street não tem uma linguagem própria, mas usa o OCaml, um sistema de tipos estáticos que diz unir “poder, pragmatismo, eficiência, expressividade e praticidade”. A empresa de venda de capitais, inclusive, não é a única a usar o OCaml no mundo; mas é uma das principais usuárias e ajuda em seu desenvolvimento.

Linguagem é favorita da Jane Street, mas não é só dela

A linguagem tem mais de 4.000 pacotes de código aberto fora da academia, em particular, da França. Os maiores contribuintes no desenvolvimento de OCaml no GitHub são funcionários atuais ou que já trabalharam na Jane Street. Desses, dois deles são Stephen Dolan, que está na corretora de ações desde 2019; e Thomas Braibant, que ficou na empresa por seis anos, até maio de 2021.

Segundo Dolan, a compilação em OCaml é relativamente rápida, muito por conta da representação uniforme da linguagem, já que todos os valores têm o mesmo layout de memória. Ou seja, um código genérico não precisa ser especializado e recompilado cada vez que é usado. Porém, a rapidez em programar pode representar, em alguns casos, a lentidão do programa pronto.

Procuram-se desenvolvedores para aprimorar linguagens customizadas

Mesmo sendo usada em mais locais além da Jane Street, encontrar especialistas em OCaml é relativamente difícil. A corretora de ações mantém uma equipe para lidar com a linguagem e fazer melhorias em seu código, que é aberto. Porém, além de Thomas Brainbant, William Hasenplough também deixou a empresa ano passado, o que criou uma grande lacuna no time.

Por conta disso, a Jane Street está contratando. A empresa precisa de profissionais que trabalhem com a comunidade de código aberto OCaml, mesmo sem experiência anterior. No entanto, é preferível que o candidato já tenha alguma familiaridade com o sistema ou saiba mexer com compiladores, seja no setor financeiro, seja na academia.

Fonte: Canaltech

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