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Mercado enxerga Petrobras no rumo certo, mas declarações sobre preços derrubam ações

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Gráfico dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Gráfico dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As ações da Petrobras figuraram entre as principais baixas da Bolsa de Valores brasileira nesta terça-feira (14), movimento influenciado pela preocupação de investidores quanto a eventuais intervenções políticas na estatal após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), criticar as altas da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

Os papéis preferenciais da estatal (PETR4) encerraram o pregão desta terça com queda de 1,33%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) caíram 0,74%, contribuindo para que o Ibovespa, principal índice da B3, fechasse o pregão com queda de 0,19%, a 116.180 pontos.

Analistas afirmam que a gestão da Petrobras é correta -a empresa usa como base para os valores que pratica o preço de partidade de importação-, mas as repetidas declarações atribuindo à empresa a culpa pelos aumentos de preços têm prejudicado o seu desempenho.

Na noite de segunda-feira (13), Lira criticou a alta dos combustíveis ao anunciar a participação do presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, na comissão geral da Câmara que debateu o tema nesta terça.

"Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso? Amanhã, a partir das 9h, o plenário vira comissão geral para questionar o peso dos preços da empresa no bolso de todos nós. A Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas", escreveu Lira no Twitter.

"O preço é o principal ponto de dúvida porque a gente sabe que é uma questão sensível", afirma Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos.

A casa mantém uma recomendação neutra para as ações da Petrobras, apesar do que Arbetman considera um momento positivo para o petróleo e companhias do setor com escala, como a Petrobras: recuperação de demanda e o preço do Brent acima de US$ 70.

O que o mercado teme é que a pressão sobre a estatal termine com intervenção na sua política de preços.

"A gente sabe que o Lira vociferou a opinião de uma parcela da população", diz o analista.

Nesta terça, na audiência da Câmara, Silva e Luna afirmou que a Petrobras seria compensada em caso de interferência para barrar a alta de preços, a exemplo do ocorrido na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), quando a redução temporária do preço do diesel fez parte da negociação para o encerramento da greve dos caminhoneiros.

"Em conformidade com a Constituição, e os senhores sabem disso, ela [Petrobras], quando orientada pela União em condições diversas de qualquer sociedade privada que atue no mercado, será compensada", disse.

Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o fantasma da intervenção ressurge devido ao histórico recente da companhia, prejudicando a visão que o mercado tem da empresa.

"O investidor que faz a análise da Petrobras, das expectativas de produção, encontra valor na empresa, mas é obrigado a dar descontos pela questão política porque falas de agentes políticos sempre atribuem à estatal falhas que não são delas, mas sim da nossa economia", diz Moliterno.

"O dólar alto também afeta o preço dos combustíveis, e o dólar está caro por motivos como o nosso risco fiscal e a crise política", comenta. "A Petrobras está no caminho certo, considerando aquilo que uma empresa deve ser. As questões que envolvem os governos é que travam."

Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, destaca que as declarações de Lira podem ter impactado nas ações da Petrobras, o que ela avalia como normal "considerando o histórico" da companhia.

"Entendo que essa conversa [na Câmara] gerou alguma especulação sobre mudança na política de preços da estatal, mas vale colocar que, em sua fala, Silva e Luna ressaltou que vai seguir no comando e o bom trabalho feito na empresa e que o presidente nunca interveio diretamente na companhia", diz Guerra.

Para analistas, Silva e Lunamantém premissas do antecessor, Roberto Castello Branco, como a manutenção do plano de venda de refinarias, saneamento de dívidas e manutenção da política de preços.

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