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Mercado e produção de automóveis têm queda histórica na Alemanha em 2020

Yann SCHREIBER
·2 minuto de leitura
O mercado de automóveis na Alemanha desabou quase um quinto no ano passado. No entanto, houve crescimento nos carros elétricos: sua participação em todos os novos registros subiu para 6,7%, com um total de cerca de 194.000 veículos

O mercado automobilístico alemão atingiu em 2020 seu nível mais baixo desde a reunificação do país em 1990, e a produção do setor, pilar de sua economia, despencou 25% pelo impacto da pandemia de coronavírus - apontam números oficiais publicados nesta sexta-feira (8).

No total, no ano passado, foram emplacados 2,92 milhões de veículos na maior economia da Europa.

Já a produção doméstica caiu um quarto devido ao impacto da crise da saúde, que na primavera boreal levou ao fechamento de fábricas e pontos de venda.

Apenas 3,5 milhões de unidades foram montadas nas fábricas do país, o nível mais baixo em 45 anos, segundo a federação de fabricantes VDA (Verband der Automobilindustrie).

Em dezembro, as vendas aumentaram 10%, para 311 mil unidades, de acordo com o escritório federal do automóvel KBA, apesar do endurecimento das medidas contra a pandemia de coronavírus na Alemanha.

Em termos de produção, este é o quarto declínio anual consecutivo para o principal setor industrial do país, enfraquecido antes da pandemia pela transição custosa para a energia elétrica.

Os conflitos comerciais lançados pelo presidente americano Donald Trump também complicaram a questão.

O único indicador positivo são as vendas de carros elétricos, que triplicaram em 2020 para alcançar 6,7% do mercado, auxiliadas por vantagens generosas na hora da compra.

Incluindo os híbridos, os carros eletrificados representaram, com 395 mil unidades, 13,5% dos novos emplacamentos; uma fatia do mercado alemão que cresceu 22% no último trimestre do ano.

As montadoras alemães, tradicionalmente na vanguarda da inovação, estão lutando para alcançar a americana Tesla.

"Graças aos subsídios, a Alemanha passa a ser o segundo mercado mundial, atrás da China, para carros elétricos e híbridos", disse Stefan Bratzel, diretor do Centro de Gestão Automotiva.

Para as fabricantes, essa tecnologia é crucial se desejam atender aos rígidos padrões europeus de emissões de CO2, que os expõem a pesadas multas caso os excedam.

A líder de mercado Volkswagen provavelmente não alcançará suas metas para 2020.

Com a democratização dos carros elétricos, "o próximo ano será mais fácil e não teremos problemas para atingir as metas a partir de 2022", afirmou o presidente da empresa, Herbert Diess, no início de dezembro.

Por sua vez, a Daimler acredita que já está no caminho certo.

"As nossas previsões permitem-nos concluir que atingimos" os objetivos europeus, explicou nesta sexta-feira o chefe do grupo, Ola Källenius, que também se mostrou confiante para 2021.

A Daimler, que dirige a marca Mercedes, viu um aumento de mais de 200% nos carros elétricos, que representaram 7,4% de suas vendas em 2020.

O grupo BMW também deveria ter atendido aos padrões antipoluição.

No entanto, os carros elétricos representam pouco mais de 1% do parque automobilístico alemão e 59% dos alemães ainda não conseguem se imaginar dirigindo um carro elétrico "no futuro", de acordo com um estudo do fornecedor Continental, publicado na quinta-feira.

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