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Mercado celebra aumento do desemprego nos EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dados que demonstraram ligeiro aumento do desemprego nos Estados Unidos geraram uma onda momentânea de otimismo no mercado financeiro global nesta sexta-feira (2). A euforia perdeu força ao longo da tarde após a notícia de que a Rússia não irá religar neste sábado (3) um gasoduto que abastece a Europa.

Mercados da Europa, que fecharam antes da informação sobre o agravamento da crise do gás, e os da América do Sul apresentaram ganhos. O dólar também perdeu fôlego globalmente, um dia após ter alcançado a maior valorização em duas décadas.

No Brasil, o índice de referência da Bolsa de Valores fechou em alta de 0,42%, aos 110.864 pontos, mantendo ao menos parte do bom humor vindo do exterior.

Na Europa, um índice que mede o desempenho das ações das 50 maiores empresas da região saltou 2,54%. A Bolsa de Frankfurt disparou 3,33%.

A Bolsa de Nova York chegou a subir mais de 1% nas primeiras horas do dia, após a divulgação do relatório de emprego, mas virou para o negativo ao final da sessão. O indicador de referência S&P 500 caiu 1,07%.

A explicação para a torcida do mercado para aumento do desemprego nos Estados Unidos está na esperança de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) seja menos rigoroso em relação à sua política de elevação dos juros para contenção da inflação no país.

Com o mercado de trabalho desacelerando, há a expectativa de menor pressão para aumentos salariais e, consequentemente, queda dos preços ao consumidor.

O relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho dos EUA mostrou que a taxa de desemprego subiu para 3,7% em agosto. Com isso, atingiu pela primeira vez um nível mais alto do que os 3,5% de antes da pandemia de Covid.

"Desemprego um pouco mais alto e salário médio por hora um pouco mais fraco sugerindo uma leve deflação de salários. Bom para o Fed. Vai na linha dos objetivos", comentou Alex Lima, estrategista-chefe da Guide Investimentos.

Foram criadas no mês passado 315 mil vagas de trabalho. Apesar de ainda robusto, o novo número de postos abertos está abaixo dos 526 mil de julho.

A geração mais fraca de vagas em agosto não quer dizer que o mercado de trabalho americano está com o pé no freio. O país permanece com quase duas vagas abertas para cada desempregado, conforme reportou nesta sexta o The Wall Street Journal.

Mas, do ponto de vista dos investidores, o relatório ameniza preocupações ao mostrar que o Fed poderá ter sucesso em esfriar a economia sem necessariamente promover uma elevação de juros muito acima do que o esperado.

Juros muito altos nos Estados Unidos tendem a motivar investidores de todo o mundo a aplicarem na renda fixa americana, mais precisamente, nos títulos do Tesouro do país. Isso diminui a disponibilidade de dinheiro para o investimento em ações de empresas.

Há consenso entre analistas sobre a necessidade de aperto ao crédito para equilibrar a relação entre oferta e demanda no consumo. O receio é quanto à dose do remédio.

Em vez de um tombo da atividade econômica, o que poderia significar uma recessão global, o mercado quer um pouso suave.

No curtíssimo prazo, investidores esperam a reunião do Fed no final de setembro para tentar saber qual é a velocidade de descida.

Em um cenário otimista, a taxa de juros do país, hoje na casa de 2,5%, será elevada em mais 0,50 ponto percentual. Já um aumento de 0,75 ponto, repetindo a dose aplicada nas duas reuniões mais recentes do Fed, é considerado agressivo.

Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, escreveu nesta sexta em sua análise sobre a folha de pagamento americana que os 315 mil novos empregos de agosto "não dão trégua para o objetivo do Fed de controlar a inflação".

Ela destaca que o número continua "muito acima da média pré-pandemia", que era de 178 mil vagas criadas entre 2018 e 2019.

"Esses números mostram um mercado de trabalho muito aquecido, fruto dos fortes estímulos econômicos que foram dados durante e após a pandemia", disse.

Rodrigues ainda afirma que o Fed precisará fazer ao menos mais um ajuste de 0,75 ponto, já em setembro, para reduzir o índice de preços, hoje na casa dos 8,5% ao ano. "O caminho indicado pelo Fed até agora ainda parece insuficiente para trazer a inflação para a meta de 2% ao ano."

DÓLAR RECUA APÓS MAIOR ALTA GLOBAL EM DUAS DÉCADAS

No mercado de câmbio do Brasil, o dólar comercial caiu 0,97%, cotado a R$ 5,1870. No cenário internacional, o índice DXY, que compara a moeda americana às principais divisas globais, cedeu 0,07%, após ter avançado na véspera ao maior patamar para um fechamento diário desde 2002.

Esse recuo do dólar também reflete a recepção do mercado aos dados de emprego nos Estados Unidos, segundo Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.

"O mercado entendeu que o banco central americano poderá ser menos agressivo com o aumento dos juros por lá", disse Quartaroli. "Esse resultado está ajudando na queda do dólar por aqui."

Na véspera, portanto antes do relatório do Departamento de Trabalho, investidores intensificaram a corrida por ativos ligados ao dólar e levaram a moeda americana a renovar a maior alta mundial em duas décadas.

Desde a semana passada reverbera nos mercados a fala do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) durante o simpósio de banqueiros centrais em Jackson Hole.

Jerome Powell afirmou que os americanos estão caminhando para um período doloroso de crescimento econômico lento e, possivelmente, de aumento do desemprego.