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Mercado ainda vê espaço para alta de juros após dois meses de deflação

Mercado ainda vê espaço para alta de juros após dois meses seguidos de deflação. Foto: Getty Images.
Mercado ainda vê espaço para alta de juros após dois meses seguidos de deflação. Foto: Getty Images.
  • Para economistas, queda nos preços é gerada por fatores pontuais;

  • Analistas esperavam um recuo mais intenso nos preços;

  • Mercado avalia que o índice pode registrar terceiro mês consecutivo de deflação em setembro.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou na última sexta-feira (9) que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), responsável por medir a inflação oficial do país, registrou queda pelo segundo mês seguido em agosto, recuando 0,36%.

Ainda que especialistas esperassem uma queda maior nos preços, o resultado fez com que o índice acumulado dos últimos 12 meses voltasse para o patamar de um dígito: 8,73%.

A principal receita para a deflação em agosto foi o recuo do preço de energia elétrica e combustíveis. Foi uma fórmula similar à de julho, mas que funcionou com menos intensidade. É o caso, por exemplo, da gasolina, que registrou queda de 11,64% em agosto, ante a diminuição em 15% no mês anterior.

Especialistas apontam que a atenuação nos preços é pontual, e que esta interpretação é baseada no chamado índice de difusão.

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De acordo o gerente da pesquisa de preços do IBGE, Pedro Kislanov, os preços dos itens ainda sobem, ainda que a inflação esteja menos disseminada.

Nesse cenário, o mercado enxerga espaço para um novo aumento da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano, e que, com isso, a Selic possa chegar a 14%.

Segundo o economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, a deflação de agosto não traz muito conforto e evoca a pressão na inflação dos serviços.

Ele também aponta que, dependendo do resultado da prévia do IPCA de setembro, e da evolução das expectativas de inflação, o Banco Central pode definir um crescimento final de 0,25 ponto na taxa básica este mês.

Para a economista-chefe da Clarita Investimentos, Marcela Rocha, mesmo com o segundo mês de deflação, ainda há o espalhamento da inflação em itens como higiene pessoal, cursos de educação, aluguel residencial e imóveis, que acumulam altas entre 7% e 22% nos últimos 12 meses.

*Com informações do O Globo.