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Menstruação vira inspiração e matéria prima para artistas que desmistificam tabus e preconceitos ao redor do tema

Lívia Breves
·3 minuto de leitura

Leia em voz alta: mens-tru-a-ção. Existe tanto tabu ao redor do tema que, para alguns, até falar a palavra soa estranho, tanto que muitas vezes o ciclo é chamado de “aqueles dias”. Que mulher nunca disfarçou um absorvente no bolso para ir ao banheiro trocá-lo ou evitou uma roupa branca quando estava sangrando com medo de sujá-la? Copinhos, calcinhas absorventes, movimentos como o free bleeding(o sangramento livre, quando não se bloqueia o fluxo) e plantar a lua (ritual de despejar o sangue na terra) à parte, ainda falta tranquilidade para tratar de um assunto tão natural. O jeito, então, é fazer arte.

Desde maio, a artista carioca Romã Neptune faz algo que muita gente pode considerar nojento: colhe seu próprio sangue e o usa como tinta. Sobre papel canson, ilustra animais que a fascinam, como a baleia e a onça. “Mês a mês, esse processo foi me reaproximando de um prazer que tinha quando criança, ao mesmo tempo que ressignificou criativamente o pigmento que meu próprio corpo produz após um não-gestar. De lá pra cá, um universo de bichos, plantas e flores vem desabrochando vermelho no papel”, detalha sobre seu processo.

A produção contemporânea ao redor do tema está reunida no Festival MenstruAÇÃO. A partir de sábado, o evento em formato on-line apresentará diversos nomes que criam estéticas e reflexões com o objetivo de diminuir o preconceito com o tema. No total, 30 mulheres participarão. Dupla de Maceió, Franciele Alves e Nathália Bezerra, da Iaci, vão mostrar a série de fotos “Rasgar as maçãs”, em que a fruta aparece ensanguentada. “A maçã aqui simboliza o conhecimento, arte e a busca por liberdade. Morder, rasgar, comer as maçãs representam um movimento de resistência e não de submissão do feminino”, explicam.

Camila Bianchi é outro nome que apresentará trabalhos no evento. Em “Reencuentro en Machu Picchu”, ela usou sangue para interferir em uma foto analógica. “O ato de intervir significa reescrever o relato, nesse caso escolhi contar a história que acordou em mim esse poderoso lugar da força do poder do feminino. Não sou mais vítima de sangrar, estou orgulhosa disso”, diz.

Uma das curadoras, Allegra Ceccarelli acredita que a menstruação é a forma mais pura de expressão da potência criativa: “Para culturas antigas, era considerada sagrada. Com o passar dos séculos, a serviço de um pensamento patriarcal, o sangue menstrual tornou-se impuro, repulsivo, sujo e vergonhoso. As propagandas de absorventes vendem ‘frescor e segurança’, além de fragrâncias e outros recursos que ‘neutralizam’ o cheiro e nos rendem fungos. Por que precisamos disfarçar uma reação natural e fisiológica de nossos corpos?”, indaga ela. “É preciso naturalizar esse fluxo como parte importante da natureza fértil criativa”. Allegra também apresentará a performance “3 sangues: da terra, do útero e do pulso” em que conecta o sangue menstrual, o feminicídio e a agressão ao meio ambiente. “O patriarcado hegemônico que tira das mulheres o direito à vida é o mesmo que desmata o planeta, bem como o que criou o tabu secular em torno do nosso ciclo.”

Sangrar pode ser tão normal quanto artístico.