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Ele largou emprego em uma multinacional para empreender com mensagens pós-morte

Mário Cássio Maurício, fundador do Meu Último Desejo (Foto: Divulgação)

Por Melissa Santos

Há 20 anos, Mário Cássio Maurício entrou em uma empresa do ramo automotivo de vistorias e inspeções como consultor. Virou funcionário e depois tornou-se sócio e CEO. Durante esse período o volume de serviços cresceu de 300 mil para 2,8 milhões por ano só de vistorias e Mário resolveu partir para novos desafios.

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"Minha saída foi o fechamento de um ciclo de executivo para empreender, seguir um propósito pessoal e buscar transformar uma dor universal, que é a morte, em um processo que perpetua legado e que busca confortar quem fica", conta o criador da plataforma Último Desejo, serviço que armazena mensagens em vídeo de pessoas que querem deixar recados pós-morte para parentes e amigos. O serviço custa R$ 4,99 mensais.

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A ideia do negócio surgiu de uma experiência pessoal do empreendedor. Seu pai foi fazer um exame, teve algumas complicações e ficou em coma por 70 dias. Como ele já tinha outra família, houve uma disputa judicial. "Ele faleceu e foi quando eu vi o quanto é difícil lidar com todas as questões práticas de uma perda inesperada, além das emocionais", fala.

Quatro anos depois da morte do pai, Mário recebeu um recado na secretária eletrônica do pai e ficou emocionado. "Pensei que isso podia ser uma forma de transmitir legado e sentimentos através do tempo. Se eu puder contribuir para que as pessoas sofram menos no luto, terei encontrado uma grande satisfação e realização com propósito", avalia.

Foi assim que nasceu a ideia da Último Desejo. O serviço funciona como alugar um cofre no banco para guardar dinheiro ou joias, por exemplo. "Uma vez que a pessoa assina o plano, ela recebe 3 GB de espaço para criar e guardar suas mensagens. Se precisar de mais espaço, é possível adquirir na plataforma diretamente", explica.

O contratante pode colocar vídeos, áudio, documentos, fotos, entre outras mensagens para uma ou várias pessoas. Quando as mensagens são enviadas, o parente ou amigo recebe a opção de baixá-las, e os arquivos são apagados dos servidores da Último Desejo, que ficam criptografados.

O empreendedor também explica que as mensagens não precisam ser enviadas imediatamente após a morte e podem ser programadas para futuras ocasiões. "Elas podem ser enviadas no mesmo dia, meses e anos após o falecimento do assinante."

A empresa, que foi lançada em agosto de 2018, evolui mensalmente, segundo Márcio. “Estamos projetando para 2019 faturarmos mais de 1 milhão de reais no ano”, afirma o empresário, que pretende fazer parcerias com planos de saúde, seguro previdenciário e seguro de vida para que as pessoas conheçam o serviço.

Além das mensagens particulares, o serviço também tem espaço para informações práticas, como senhas de redes sociais e bancos. E a obrigatoriedade do pagamento termina com a morte do contratante.