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Menor que uma joaninha, este implante afere oxigênio dentro de órgãos e tecidos

Natalie Rosa
·2 minuto de leitura

Quanto mais a tecnologia avança, menos invasivas se tornam a formas de monitorar a nossa saúde. Um exemplo desse avanço é a criação de um implante minúsculo que é capaz de monitorar os níveis de oxigênio dos tecidos dos órgãos de forma profunda. Menor que uma joaninha e alimentado com ondas de ultrassom, o pequeno dispositivo pode ser um grande aliado dos médicos para obter alertas precoces sobre problemas de saúde e complicações de transplantes, por exemplo.

Michel Maharbiz, principal autor do estudo e professor de engenharia elétrica e ciência da computação da Universidade da Califórnia em Berkeley, conta que é bastante difícil fazer medições dentro do corpo. "O dispositivo demonstra como, usando a tecnologia do ultrassom com um design de circuito integrado inteligente, é possível criar implantes sofisticados que entram profundamente no tecido para coletar dados de órgãos", conta.

O oxigênio é essencial para que as células desenvolvam a capacidade de aproveitar a energia dos alimentos que ingerimos, e praticamente todos os tecidos de nossos corpos precisam de um suprimento constante para sobreviver. Porém, grande parte dos métodos usados para medir a oxigenação dos tecidos consegue fornecer somente dados sobre o que acontece próximo à superfície do corpo, pois dependem de ondas eletromagnéticas, como a luz infravermelha, que penetram em apenas alguns centímetros.

<em>Imagem: Reprodução/Soner Sonmezoglu/UC Berkeley</em>
Imagem: Reprodução/Soner Sonmezoglu/UC Berkeley

Outras tecnologias, no entanto, conseguem obter essas informações mais profundas, mas não em tempo real. Além disso, o processo é muito mais longo e complicado. Então, desde 2013 Maharbiz vem projetando implantes em miniatura que usam ondas ultrassônicas para a comunicação sem fio com o mundo exterior. Essas ondas são uma forma de som com uma frequência muito alta para ser detectada pelo ouvido humano e também podem "viajar" pelo corpo sem deixar danos e em distâncias ainda mais longas que as ondas eletromagnéticas.

Uma das aplicações mais indicadas do dispositivo se deve ao fato de ele contar com um grande potencial para monitorar órgãos transplantados, como explica Soner Sonmezoglu, pesquisador pós-doutorando e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do implante. "Meses depois do transplante de órgãos, podem acontecer complicações vasculares que podem levar à disfunção do enxerto", conta o especialista, dizendo ainda que o chip pode ajudar os médicos a medir a hipóxia tumoral e conduzir a radioterapia contra o câncer.

Outra possível aplicação para o implante está no tratamento de bebês prematuros, que precisam ser suplementados com oxigênio, gerenciando a administração do composto de forma segura e minimizando o surgimento de doenças. Para a tecnologia do implante se aprimorar, os pesquisadores pretendem reduzir ainda mais o seu tamanho, o que facilitaria a instalação, e desenvolver formas para que ele permaneça no corpo por mais tempo.

Fonte: Canaltech

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