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Menor geração nuclear impactará EDF em 32 bi de euros no ano

Logotipo da EDF na sede da empresa em Paris

Por Benjamin Mallet e Silvia Aloisi

PARIS (Reuters) - A EDF espera um impacto de cerca de 32 bilhões de euros em seus principais resultados anuais devido à menor produção nuclear, uma perda maior do que a estimada anteriormente e seu sexto alerta de lucro este ano.

A companhia tem lutado com um número sem precedentes de interrupções em seus 56 reatores, em parte devido a problemas de corrosão detectados pela primeira vez em dezembro de 2021. Os problemas foram agravados por greves salariais nas últimas semanas que atrasaram ainda mais os trabalhos de reparo em alguns reatores.

O grupo, que está em processo de ser totalmente nacionalizado, confirmou que a produção nuclear ficará na extremidade inferior de uma faixa de 280 a 300 terawatts-hora anunciada anteriormente --uma mínima de 30 anos.

A empresa também espera que um teto de preço de eletricidade do governo, introduzido no início deste ano para proteger as famílias francesas do aumento dos preços da energia, custe mais 10 bilhões de euros, pois foi forçada a vender eletricidade com desconto para seus concorrentes.

A combinação de menor produção e preços de eletricidade limitados significa que a EDF deve terminar o ano com um grande prejuízo. O Ebitda da empresa em 2021 chegou à 18 bilhões de euros.

As greves que afetaram trabalhos nos reatores terminaram na semana passada. O grupo, que tem mais de 40 bilhões de euros em dívidas, disse na quinta-feira que ainda está avaliando o impacto da paralisação.

Em seu comunicado na quinta-feira, o grupo disse que concluiu os trabalhos de reparo em seis reatores afetados por problemas de corrosão, enquanto os trabalhos ainda estavam em andamento em quatro reatores pelos mesmos problemas, enquanto outros cinco estavam sendo verificados.

O Estado francês, que já detém 84% da EDF, deverá lançar uma oferta de compra das ações que ainda não detém até ao final deste ano, num negócio no valor de quase 10 bilhões de euros.

(Por Benjamin Mallet e Silvia Aloisi)