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Membros do Globo de Ouro dizem que prêmio é tóxico e prometem criar concorrente

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois membros do grupo responsável pelo Globo de Ouro -a HFPA, sigla da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood- renunciaram aos cargos, criticaram a equipe e prometeram criar uma associação concorrente. O anúncio foi feito nesta quinta (17) e divulgado pelo jornal americano Los Angeles Times.

Em carta enviado à liderança da HFPA, os então membros Diederik van Hoogstraten, da Holanda, e Wenting Xu, da China, definiram a organização do prêmio como tóxica.

"Nós acreditamos num espaço acolhedor, saudável e respeitoso, onde o trabalho de jornalistas possa se desenvolver e prosperar. Esse lugar é não na HFPA", afirma a dupla.

"Depois de sairmos, planejamos construir um ambiente transparente, profissional e com uma organização inclusiva para as gerações atuais e futuras de repórteres que simplesmente querem trabalhar juntos, sem toxicidade."

A renúncia da dupla acontece em meio a uma série de polêmicas envolvendo o Globo de Ouro e alguns de seus vencedores da última edição. O prêmio tem sido alvo de boicotes e denúncias de corrupção.

"Na primavera, havia uma janela para abrir e provar que entendemos como a HFPA poderia aprender com seus erros, como poderíamos sair mais saudáveis com reformas e transparências", afirma a carta assinada por Hoogstraten e Xu. "Essa janela está fechando e Hollywood está seguindo em frente."

Desde uma investigação do LA Times, publicada em fevereiro, o Globo de Ouro tem se tornado um grande alvo de denúncias e críticas. A reportagem revelou que não havia, até então, nenhum negro entre os membros da associação, o que fez o grupo receber acusações de racismo.

Além disso, comitês do prêmio são acusados de fazerem parte de um esquema de troca de favores, no qual eleitores aceitam dinheiro, viagens e presentes em troca de indicações no Globo de Ouro. A HFPA, no entanto, nega a acusação de corrupção.

Desde fevereiro, segundo Hoogstraten e Xu, "as tomadas de decisão [da HFPA] têm ocorrido 'de portas fechadas'".

No início de maio, o grupo anunciou a aprovação da inclusão de 20 novos membros, o aumento do recrutamento de jornalistas negros na equipe e a contratação de um diretor de diversidade.

Entendemos que o trabalho duro começa agora", disse Ali Sar, presidente da HFPA, na época. "Continuamos dedicados a nos tornarmos uma organização melhor e um exemplo de diversidade, transparência e responsabilidade no setor."

No entanto, as medidas não agradaram boa parte do setor do cinema e da TV de Hollywood, o que ficou evidente na onda de críticas feitas ao prêmio no mesmo dia.

A emissora americana NBC, por exemplo, não transmitiu a cerimônia deste ano, rompendo o contrato com a organização. Além disso, Netflix e Amazon também pularam do barco, capitaneando uma onda de boicotes à premiação.

Os dois membros que renunciaram a HFPA criticam as mudanças propostas e afirmam que a liderança do grupo descartou sugestões de implementar candidaturas novas e retirar antigos profissionais [da associação].

"Ainda há uma significativa resistência em ter um grupo diversificado e de novos membros. O novo estatuto proposto não contém orientações claras para identificar e admitir jornalistas qualificados em breve", diz a dupla.

Ainda segundo a carta, "segregação, silêncio, medo de retaliação, autocensura, corrupção e abuso verbal" são apenas alguns hábitos existentes na HFPA.

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