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Melhores seleções brasileiras foram as de 2002 e 1970, diz Franco Baresi

·6 minuto de leitura
***ARQUIVO***SAO PAULO, SP - 14.09.2021 - Entrevista do ex-jogador de futebol, o italiano Franco Baresi.  (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***ARQUIVO***SAO PAULO, SP - 14.09.2021 - Entrevista do ex-jogador de futebol, o italiano Franco Baresi. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-zagueiro italiano Franco Baresi, 61, viveu de perto dois dos momentos mais importantes da história da seleção brasileira em Copas do Mundo. Para o torcedor do Brasil, o primeiro representou a dor que ainda não cicatrizou completamente, e o segundo, a glória.

Baresi integrou o elenco da Itália que derrotou a equipe de Telê Santana no Mundial de 1982, episódio conhecido como “tragédia do Sarriá”. Aquele time brasileiro é considerado por muitos, até hoje, como um dos melhores de todos os tempos a não ganhar uma Copa.

Doze anos mais tarde, o defensor disputou e perdeu a final de 1994 contra a seleção brasileira, decidida nos pênaltis. Foi o duelo em que Roberto Baggio desperdiçou a cobrança decisiva, eternizando a expressão "É tetra!" gritada por Galvão Bueno na transmissão.

Hoje, mais de duas décadas depois de sua aposentadoria, o ex-jogador do Milan não vê nenhuma dessas equipes que ele enfrentou como a melhor que o Brasil já teve.

“Para mim, foram a de 2002, porque era completa, boa na defesa, no meio de campo e no ataque, e também a de 1970”, afirma Franco Baresi, em entrevista à reportagem da Folha de S. Paulo. "A de 1994 era forte e muito compacta, mas menos espetacular."

O italiano está no Brasil para a gravação da série documental “Facing Fate”. Na produção, o ex-atleta viajará pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Salvador e Manaus em busca de entender como o brasileiro enfrenta e supera as dificuldades do cotidiano.

Considerado um dos maiores defensores da história do futebol, ele repete nas ideias e no modo de falar o estilo elegante que tinha na época de jogador. Se diz contra ideias como a Copa do Mundo a cada dois anos e a criação de uma Superliga de clubes da Europa.

Quando o assunto é a Itália de 2021, que conquistou o título da Eurocopa com um futebol ofensivo –diferente da escola italiana mais tradicional, marcada pela solidez defensiva–, Baresi se diz entusiasmado com a ideia de jogo da equipe de Roberto Mancini.

À reportagem, Baresi também comentou sobre o Milan (único clube que defendeu na carreira e no qual é hoje vice-presidente honorário), a final do Mundial de Clubes contra o São Paulo em 1993 e as diferenças entre o futebol de sua época e o atual.

LEIA A ENTREVISTA:

PERGUNTA - Você teve a oportunidade de estar com a seleção italiana em duas Copas do Mundo nas quais a Itália enfrentou o Brasil. Em 1982, saíram vitoriosos e foram campeões mundiais, e em 1994, perderam a decisão e ficaram com o vice-campeonato. Qual é a lembrança que você tem dessas duas equipes brasileiras?

FRANCO BARESI - É possível compará-las? Faltou alguma coisa àquela seleção brasileira de 1982 para não ter ganhado o Mundial. Me encontrei com o Cafu aqui no Brasil e falamos sobre as melhores seleções brasileiras da história. Para mim, foram a de 2002, porque era completa, boa na defesa, no meio de campo e no ataque, e também a de 1970. A de 1994 era forte e muito compacta, mas menos espetacular. São equipes diferentes, gerações diferentes.

PERGUNTA - A Itália ganhou seus últimos Mundiais em 2006 e em 1982. Equipes que sempre foram consideradas fortes defensivamente...

FRANCO BARESI - Está na cultura italiana o jogo defensivo. Em 2006, sim, era uma seleção muito forte defensivamente. Já a de 1982 tinha um jogo mais ofensivo. Havia um grande time, com qualidade no meio de campo e na frente. E jogamos com os melhores: Brasil, Argentina, Alemanha. Naquela Copa, a Itália jogou muito mais do que em 2006.

PERGUNTA - No título da Eurocopa deste ano, viu-se uma seleção italiana voltada para o ataque, diferente do que é a característica histórica do futebol do país. Como você viu essa mudança de perfil?

FRANCO BARESI - Todo o país ficou muito entusiasmado com essa seleção italiana campeã europeia. Mostrou muita qualidade técnica e tática e um jogo muito ofensivo. [Roberto] Mancini conseguiu transmitir isso, fez um grande trabalho para trazer essa mentalidade ofensiva e tirar dos jogadores as suas melhores características.

PERGUNTA - Você jogou toda a sua carreira em um único clube, o Milan. Como Ryan Giggs no Manchester United ou Charles Puyol no Barcelona, por exemplo. Por que não há mais jogadores de um clube só?

FRANCO BARESI - Porque o futebol mudou. Hoje há mais oportunidades, há outros interesses no jogo. Há 20 anos o futebol era muito diferente de agora. Se eu jogasse agora, talvez tivesse sido diferente. É difícil comparar essas épocas.

PERGUNTA - Gostaria de ter vestido outra camisa?

FRANCO BARESI - Se eu tivesse nascido 25 anos depois, talvez. Mas naquele momento não. Eu estava feliz e me sentia realizado. O Milan era a minha segunda família.

PERGUNTA - ​O Campeonato Italiano já foi a mais importante liga nacional do mundo, mas perdeu protagonismo na última década. Como recuperar esse espaço e voltar ao topo?

FRANCO BARESI - Estamos recuperando. Por muitos anos, a seleção italiana ficou sem ganhar nada, inclusive não se classificou à Copa do Mundo [de 2018]. De fato, não havia os melhores jogando no país. Mas agora o futebol italiano está se recuperando, vejo uma melhora. Economicamente a liga está um pouco melhor, grandes jogadores estão atuando na Itália. Há muita concorrência, em outros países há clubes que pagam muito melhor que os italianos. E os melhores atletas acabam indo para essas outras ligas. Mas o Italiano sempre foi um campeonato fascinante. É um campeonato que ensina, que melhora o jogador.

PERGUNTA - Qual a sua opinião sobre a Superliga europeia, um grupo reduzido de clubes de elite jogando entre si?

FRANCO BARESI - Eu acho essa proposta triste, não tem fundamento. O futebol está passando por um momento crítico por conta da pandemia, economicamente. Mas não tem cabimento [a realização da Superliga], por respeito a todos os outros clubes e ao futebol.

PERGUNTA - Você esteve em campo pelo Milan na derrota do Mundial de 1993, contra o São Paulo de Telê Santana. Qual a sua lembrança daquela partida?

FRANCO BARESI - Eu não me lembro de nada daquele jogo (risos)... O São Paulo tinha um grande time. Talento, experiência. Cometemos alguns erros e foi uma partida com muitas reviravoltas. Gol deles, gol nosso. Erramos mais que o São Paulo e perdemos por isso.

PERGUNTA - O último campeão mundial de clubes não europeu foi o Corinthians, em 2012. Você vê a chance de algum clube fora da Europa ser campeão mundial atualmente?

FRANCO BARESI - É difícil, não conheço a realidade de todos os outros times. Não consigo responder. Sim, o futebol na Europa é muito competitivo, tem maior estrutura. Mas o futebol também é belo justamente porque não se sabe quem vai ganhar. Não é porque um europeu vai enfrentar um sul-americano que a sua vitória já é certa.

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