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Reinaldo melhor que Filipe Luís? Bruno Guimarães e Gerson preteridos? Sim, pelo menos no Cartola...

 

Não, você não leu errado: Kingnaldo é melhor que Filipe Luís. Pro universo cartoleiro, pelo menos, é sim. (Foto: Marcello Zambrana/AGIF)

Por Caíque Toledo

Um dos principais pontos para se dar bem no Cartola FC é entender a questão-base do jogo: nem todo bom jogador de futebol é bom jogador de Cartola.

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Exemplos não faltam, e estão por aí aos montes. Para nós, cartoleiros, não adianta nada escalar o craque do meio-campo que não erra nenhum passe, mas também não rouba bolas e não dá assistências. Por outro lado, aquele atacante que precisa chutar dez vezes para fazer um gol, aqui é valorizado: cada finalização garante pontos e, de pouco em pouco, vai galgando uma pontuação mais alta. 

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Portanto, saber identificar a diferença do bom jogador em campo e do bom jogador no game é fundamental para se destacar dos chamados 'leigos', que acham que escalando os melhores que vê jogar sempre se dará bem. Está longe de ser assim.

Vamos a alguns exemplos práticos. Você preferiria que sua dupla de laterais fosse Daniel Alves e Filipe Luís, os titulares na conquista da Seleção Brasileira na última Copa América, ou Nino Paraíba e Reinaldo? Com todo respeito ao destro do Bahia e ao canhoto do São Paulo, que na vida real desempenham papeis importantes às suas equipes, é claro. Agora, pro Cartola, a questão é diferente.

Dani Alves até tem uma média boa no Cartola, mesmo com a fase irregular do São Paulo. Disputa ponto a ponto com Nino Paraíba... (Foto: Marcello Zambrana/AGIF)

Dani e Filipe talvez sejam os melhores jogadores do futebol brasileiro, em termos de qualidade técnica. Bola jogada mesmo, na cancha. Mas veja só: o craque flamenguista, fundamental no virtual título brasileiro e no possível da Libertadores, tem uma boa média de 5.88pts em 13 partidas. Está entre os melhores do jogo, mas fica atrás de Reinaldo: o são-paulino, questionado por parte da torcida, passa dos 6pts de média em 30 jogos. Na hora do 'vamos ver', a qualidade do atleta e do time pode pesar. Mas A+B provam que Reinaldo, para Cartola, tem um ano melhor. 

Vamos ao outro exemplo: no fim de semana passado, Dani Alves marcou o gol de empate são-paulino no clássico contra o Santos e fez incríveis 13.9pts, aumentando sua média para 5.67 em 15 jogos. Depois desse jogo, ele passou Nino Paraíba, que em 25 partidas tem média de 5.54pts. Antes, o atleta do Bahia tinha uma sequência de pontuações mais estáveis ao longo do campeonato.

Incrível, não é? Mas saca só o meio-campo. Bruno Guimarães e Gerson são, incontestavelmente, craques de bola. O atleticano é peça-chave no campeão da Copa do Brasil, enquanto o flamenguista voltou da Europa parecendo que joga um esporte diferente, tamanha qualidade. Mas e se eu te disser que, no Cartola, é mais jogo se você escalar Rodrigo Lindoso, Ralf, Jonatan Gómez, Raul e tantos outros?

Outro exemplo legal é Everton Ribeiro. O capitão do Flamengo é um jogador fora de série, mas sua média no Cartola são de míseros 3.32pts. Na dúvida, prefira Yago Felipe do Goiás ou Gustavo Campanharo da Chapecoense.

Gerson é o cara do Campeonato Brasileiro, e não seria surpresa se fosse o craque da competição. Mas, no Cartola, bem... (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)

Deixando claro, mais uma vez: não estamos comparando a qualidade dos atletas dentro de campo, com a bola rolando. Estamos falando de números que, baseados na temática pré-determinada pelo Cartola, nos mostram uma realidade. Passe certo não ganha ponto, mas passe errado tira. Roubada de bola vale 1,5pt, enquanto fazer uma inversão de jogo maravilhosa não conta nada. Trocar um passe no meio e quem recebeu a bola chutar de longe para o gol? Cinco pontos da assistência. Fazer uma jogada brilhante, tocar para um companheiro e este cruzar para a finalização: zero pontinhos. 

É por isso, então, que apesar de vermos a qualidade técnica do atleta como um grande diferencial na hora de escalar, precisamos ter noção do que é melhor para o game. Gostamos de usar por aqui a expressão de que fulano fez 10pts "sem nada", por exemplo -- ou seja, mitou na rodada sem depender de scouts grandes, como gol, assistência ou saldo de gol. 

É bom destacar também que nem sempre há uma discrepância tão grande. Não é coincidência que, neste ano, os maiores pontuadores do Cartola (entre aqueles que jogaram um adequado número de partidas), são jogadores excepcionais ou que fazem um grande campeonato também em campo. A lista começa com os flamenguistas Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique, e segue com Tadeu, Everton Cebolinha, Jorge, Marcos Rocha, Carlos Sanchez...

Portanto, tenha certeza. Cartola não é um jogo fácil. Há quem diga ser pura sorte, e, vá lá, tem bastante disso, também. Mas não adianta nada se não entender o game, suas mecânicas e os conceitos por trás. Garantimos que há muito a ensinar.

* Caíque Toledo é jornalista, trabalha diretamente com futebol desde 2015 e joga Cartola desde 2006, ficando duas vezes no Top100 e com melhor desempenho em 23º na liga nacional em 2013. Faz parte do projeto da Universidade do Cartola, o @universidadedocartola no Instagram.

Quer escalar Bruno Guimarães ou Everton Ribeiro? Pense um pouquinho mais que talvez você opte por Jonatan Gómez... (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)

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