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Melhor filme brasileiro de todos os tempos faz 90 anos

·3 minuto de leitura

Em 2007, David Bowie, astro do rock que também era fã de cinema, promoveu uma mostra em Nova York com suas dez produções latino-americanas favoritas — e lá estava o brasileiro “Limite”, que chega esta segunda (17-5) aos 90 anos. Eleito em enquetes da Cinemateca Brasileira e da Associação Brasileira de Críticos de Cinema o melhor filme nacional de todos os tempos, o único longa dirigido por Mário Peixoto ganha homenagens na data. A Cinemateca do MAM organizou um evento virtual com a exibição do clássico, debates e master class, a partir de desta segunda, e a plataforma Curta! On programou dois documentários sobre o diretor e sua obra.

O filme foi exibido pela primeira vez no antigo Cinema Capitólio, no Centro do Rio, em 17 de maio de 1931, para uma plateia de convidados que o recebeu de forma fria. Em cena, três náufragos (Iolanda Bernardes, Olga Breno e Raul Schnoor) em um pequeno barco à deriva no oceano aceitam o destino iminente. Enquanto aguardam seu trágico desfecho, dialogam sobre liberdade, traumas e a passagem do tempo. A obra jamais chegou ao circuito comercial, mas isso não impediu que ganhasse o status de mito, como destaca Sérgio Machado, diretor do documentário “Onde a terra acaba”, sobre a vida e a obra de Mário Peixoto disponível no Curta! On:

— Embora o público não tenha, na época, entendido, algumas pessoas comentavam sobre a genialidade e importância de “Limite”, que com os anos acabou ganhando a mística de o “maior filme já feito no Brasil, mas nunca visto”. O próprio Mário Peixoto, que tinha só 23 anos, acabou se isolando, frustrado pela decepção com a receptividade que o longa teve, e se tornou uma espécie de eremita, vivendo sozinho em Ilha Grande boa parte da vida.

O filme só foi recuperado nos anos 70, pelo restaurador Saulo Pereira de Mello (1948-2020), que também será homenageado. Foi então exibido ao redor do mundo e se firmou como marco no cinema nacional e internacional, lembra o pesquisador da Cinemateca do MAM Hernani Heffner.

— É um longa inovador por toda a sua complexidade técnica — diz Heffner, sublinhando que a narrativa, a fotografia e a temática de “Limite”, abordando assuntos como a opressão às liberdades individuais, foram “revolucionárias”. — É um filme mudo numa época em que o cinema sonoro já estava muito presente e faz um grande experimento também em torno da natureza brasileira, explorando a força, beleza e tristeza das paisagens de restinga, de agreste.

Ruy Gardnier, crítico de cinema do GLOBO, exalta o caráter extraordinário do longa:

— É muito singular, porque o cinema brasileiro lutava para ter padrões próximos de Europa e EUA, e aí apareceu um filme de um cineasta estreante, também poeta, com uma técnica que dominava com perfeição as sequências cinematográficas da época. É um longa que flui com a musicalidade das imagens de forma impressionante.

Sérgio Rizzo, também crítico de cinema do GLOBO, endossa, enfatizando que Mário Peixoto fez um filme em sintonia com as experimentações estéticas na Europa e muito à frente do relógio cultural brasileiro de então:

— Objeto cinematográfico não identificado em sua época, visto por poucos em sessões lendárias, tornou-se monumento. Revê-lo é sempre uma experiência nova e prazerosa, como convém a todo clássico. Cabe a nós celebrá-lo, com entusiasmo à altura de sua ousadia.

Desta segunda (7-5) até o dia 23, “Limite” estará disponível no canal da Cinemateca do MAM no Vimeo. Nesta segunda, às 19h, um debate, mediado por Heffner, tem participação do diretor Walter Salles (que financiou o restauro do filme) e Filipi Fernandes discutindo o legado do restaurador Saulo Pereira de Mello, que morreu no ano passado, vítima da Covid-19.

— “Limite” só não ficou perdido para sempre graças ao trabalho árduo de Saulo, pesquisando, preservando e restaurando essa obra — diz Heffner.

O canal Curta! programou os documentários “Mar de fogo”, curta-metragem de Joel Pizzini (hoje, às 18h), e “Onde a terra acaba”, longa de Sergio Machado (dia 23, às 21h15). Ambos já estão disponíveis no Curta! On, no Now.

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