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Melanina: como o RAP é a arma lírica que empodera pretos pelo Brasil

Festival 100% Favela acontece anualmente no Capão Redondo, zona sul de São Paulo (Mariana Prudêncio/Yahoo Notícias)
Festival 100% Favela acontece anualmente no Capão Redondo, zona sul de São Paulo (Mariana Prudêncio/Yahoo Notícias)

Reis e rainhas

Por CORUJA BC1

Eu tinha apenas 6 anos de idade quando ouvi Racionais MC´s e DMN a primeira vez. Foi como se eu tivesse encontrado uma voz. Aquilo tinha tanto poder, que mesmo eu ainda uma criança, já sentia a força e coragem ao absorver aquele som. "Ae na época dos barraco..." e eu pensava "eu moro em um barraco de madeira!".

ASSISTA AO EPISÓDIO 1: Vidas salvas e poder para a autoestima: o futebol de várzea é preto

ASSISTA AO EPISÓDIO 2: A moda traz de volta a ancestralidade e acende a autoestima do povo preto

ASSISTA AO EPISÓDIO 3: Barba, cabelo e… autoestima! Como a barbearia empodera pretos pelo Brasil

Entre as tantas outras frases e o ritmo, que trazem uma sonoridade ancestral, me recordo como o Hip Hop mexeu com meu espírito. As letras me fizeram ter identificação imediata, pois aquele ritmo falava do que estávamos vivendo e passando.

Quando eu vejo Drika Barbosa, Ebony, Stephanie e tantas outras irmãs falando de protagonismo e encorajando suas iguais, percebo um levante que se mantém. É aquela mesma essência que me fez se apaixonar pela cultura Hip Hop.

É também perceptível e incontestável a importância de alguém como Djonga, um cara fora do eixo Rio x São Paulo, alguém que está mudando não só a forma de se ver a música, mas também os conceitos racistas dos padrões de "beleza" que a sociedade impõe.

O trabalho de pessoas como Djonga, BK, Diomedes, Karol Konka, Rincon, Emicida, Vandal, Rashid e tantos outros irmãos e irmãs servem como um espelho para o resgate de um orgulho e uma auto estima. Resgate que hoje acontece mesmo com as nossas crianças, estimuladas por nomes como MC Sophia e MC Caverinha.

Tudo isso é o mesmo que me fez se apaixonar por Hip Hop, o mesmo que Racionais MC's, DMN, 509-e, Z'africa Brasil, Dinadi, Sistema Negro, Ndee Naldinho, Kamau, Parteum, MV Bill, Costa a Costa e tantos outros despertaram em mim!

É assustador para algumas pessoas ouvir e ver jovens se denominarem reis e rainhas, mas é assim que o Hip Hop define a juventude negra e periférica. Quando a música e a arte fazem essa menção, o objetivo é o de resgatar as memórias ancestrais que habitam na juventude periférica no mundo.

É preciso sempre lembrar que descendemos de reis e rainhas e que não descendemos de escravos e sim de um povo livre que foi escravizado.

O espírito do Hip Hop

Algumas pessoas confundem a competitividade do mundo, com a que existe na essência do Hip Hop. Enquanto a competitividade do mundo se dá pela vontade de ser melhor que alguém, a essência da competitividade do Hip Hop se dá em superar a si mesmo. É a busca por evoluir como um todo.

Um B Boy não quer superar os movimentos de outro simplesmente para se dizer melhor, mas sim para saber que superou a si mesmo. Ao se superar, sabe que terá que treinar mais, por que esse “alguém” que surgiu irá superá-lo em busca do mesmo propósito.