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Melania Trump teria cometido crime financeiro ao comprar seu próprio NFT

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Melania Trump, ex-primeira dama, está sendo acusada de inflar artificialmente o preço de sua coleção de NFTs
Melania Trump, ex-primeira dama, está sendo acusada de inflar artificialmente o preço de sua coleção de NFTs
  • Prática criminosa ressurgiu com o mercado de NFTs devido a falta de regulação;

  • Este teria sido apenas o primeiro leilão de ativos digitais de Melania Trump, com outros planejados para o futuro.

  • Segundo o portal Chainalysis, criminosos lucraram cerca de R$ 45 milhões com a prática em 2021;

Melania Trump, esposa do ex-presidente americano Donald Trump, está sendo acusada de ser a vencedora do leilão de sua própria coleção de NFTs, chamada de “Head Of State”. Essa prática é considerada ilegal pelas agências reguladoras de todo o mundo.

Há três semanas atrás, a ex-primeira dama publicou nas redes sociais o histórico de lances por sua coleção, evidenciando que as obras de arte foram vendidas por 1,800 SOL, criptomoeda nativa da blockchain Solana, equivalente a R$ 952 mil.

Indícios de um crime

No entanto, como revelou a publicação americana Bloomberg, os fundos do lance vencedor vieram da carteira virtual do mesmo usuário que listou a coleção para leilão em primeiro lugar.

As investigações apontaram que o criador dos NFTs transferiu 372,657 de USDC, uma criptomoeda equivalente ao dólar, para uma segunda carteira digital, que depois enviou 1,800 SOL para uma terceira, que foi a vencedora do leilão. Quatro dias após o leilão, a carteira digital do criador das NFTs enviou os 1,800 SOL recebidos para a segunda carteira.

Esse movimento, estranho por si só, poderia até ser explicado como uma jogada publicitária com intuito de apenas colocar a imagem de Melania na mídia. Ainda sim, seria considerado crime caso tivesse ocorrido em mercados financeiros regulamentados.

No entanto, a própria ex-primeira dama afirmou que “Head Of State” seria apenas um dos muitos leilões de NFTs planejados para serem feitos em “intervalos regulares”. Com isso, para especialistas financeiros fica clara a intenção da prática de "wash trade".

Wash trade e os NFTs

A prática de wash trade consiste em manipular o mercado financeiro ao comprar e vender o mesmo instrumento financeiro diversas vezes. Isto é feito com o objetivo de criar uma falsa demanda pelo ativo e inflacionar o seu preço.

Nos Estados Unidos, a prática é considerada ilegal desde 1936, no entanto, ela ganhou uma ressurgência com o mercado de NFTs. De acordo com um estudo da Chainalysis, empresa dedicada a combater e coibir a prática de crimes na blockchain, a prática é realizada de forma aberta por diversos usuários.

Em seu último relatório lançado em fevereiro de 2022, a empresa identificou um grupo de 262 usuários realizando a prática de forma aberta e escancarada, tendo vendido para si mesmos um mínimo de 25 vezes. Um desses usuários chegou a realizar 830 vendas dos mesmos produtos para sua própria carteira. De acordo com a empresa, esses criminosos teriam lucrado cerca de R$ 45 milhões em 2021.

De acordo com os autores do relatório, o wash trade existe em uma área legal obscura. Ela é proibida em ativos financeiros comuns, como ações e futuros, mas o mercado de NFTs ainda não foi alvo de nenhum tipo de fiscalização

"No entanto, isso pode mudar à medida que os reguladores mudarem o foco e aplicarem as legislações anti fraude existentes aos novos mercados de NFT. De maneira mais geral, o wash trade em NFTs pode criar um mercado injusto para quem compra tokens inflados artificialmente, e sua existência pode minar a confiança no ecossistema NFT, inibindo o crescimento futuro", disseram os autores.

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