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Quantas vezes você foi como Meghan Markle e pensou em desistir de tudo?

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
UNSPECIFIED - UNSPECIFIED: In this handout image provided by Harpo Productions and released on March 5, 2021, Oprah Winfrey interviews Prince Harry and Meghan Markle on A CBS Primetime Special premiering on CBS on March 7, 2021. (Photo by Harpo Productions/Joe Pugliese via Getty Images)
Meghan Markle confessou que pensava em não estar mais viva durante entrevista com o marido, o príncipe Harry, à Oprah (Foto: Harpo Productions/Joe Pugliese via Getty Images)

Na última semana, um dos assuntos mais comentados foi a entrevista de Meghan Markle do príncipe Harry para a icônica apresentadora Oprah Winfrey. Dentre os muito tópicos abordados no bate-papo (que expõem até o racismo intrínseco à família real britânica), um ponto em particular nos chamou a atenção: quando Meghan falou que, mais de uma vez, pensou que gostaria de não estar mais viva.

Agora, não estamos em Setembro Amarelo, o mês que, teoricamente, é considerado aquele de conscientização sobre suicídio. E nem precisamos, porque doenças mentais são um assunto que devem ser relevantes e conversadas a todo momento.

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Talvez não seja comum vermos pessoas famosas - ainda mais membros da realeza britânica, falarem tão abertamente sobre pensamentos suicidas ou questões como essa, mas isso também não é verdade. Fato é que mais de uma vez vimos pessoas públicas sendo sinceras sobre o que sentem e pensam - Justin Bieber, por exemplo, a cantora teen Demi Lovato, até mesmo o humorista Whindersson Nunes já falou abertamente sobre as suas dificuldades em relação à depressão.

O ponto, então, é manter a conversa acontecendo e levá-la para além das notícias da internet. O que Meghan passou é algo que dificilmente outra pessoa do mundo vai passar - afinal, quais são as chances de uma outra plebeia, negra e ex-atriz casar com um dos herdeiros diretos do trono britânico no contexto em que vivemos hoje, num futuro próximo? De fato, é difícil. No entanto, o que ela sentiu como um resultado das escolhas que fez em nome do amor - o ataque da mídia britânica, a perseguição dos paparazzi, todos os boatos e críticas sobre quem ela era e até a segurança do seu filho - é uma sensação que muitos de nós conhecemos. "Eu estava muito envergonhada de falar sobre isso naquele momento e envergonhada de admitir para o Harry, especialmente porque eu sei quanto luto ele já sofreu. Mas eu sabia que se eu não falasse, que eu faria algo a respeito. Eu não queria mais estar viva, e esse era um pensamento muito claro e real e assustadoramente constante".

Vale lembrar que o suicídio e a auto-flagelação são um resultado de doenças mentais não tratadas. Questões como depressão e a síndrome de burnout, por exemplo, precisam ser cuidadas para não evoluírem para algo tão sério quanto o tema deste texto. Mas acontece que, ainda hoje, o assunto é tabu e é tratado com levianidade, o que leva muita gente a acreditar que a situação que vivem não tem saída.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos - e, para cada morte, existem inúmeras outras que tentam o suicídio, sem sucesso. As tentativas prévias, de acordo com a organização, é o fator de risco mais importante para a população geral. Fora isso, um dado que sempre impressiona é o seguinte: o suicídio é a segunda principal causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos, e 79% dessas mortes acontecem em países de baixa e média renda. Não à toa, ele é considerado uma questão de saúde pública - o que significa que deve ser uma preocupação de todos.

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Não à toa também, o Brasil deveria se manter em estado de alerta quando esse é o assunto, já que é considerado o país mais ansioso do mundo e os índices de suicídio por aqui aumentaram 7% em relação ao restante do mundo, que viu uma queda nos números absolutos de 9,8% entre os anos de 2010 e 2016, quando foi feito o último estudo sobre o tópico pela OMS.

Meghan foi corajosa, mas nem todas as pessoas o são. Aliás, ela contou à Oprah que chegou a conversar com uma pessoa da corte britânica, dizendo que precisava de ajuda psicológica, mas foi desencorajada porque isso "seria ruim para a imagem da realeza". "Eu compartilho isso porque existem mutias pessoas com medo de falar que precisam de ajuda".

O primeiro ponto, então, é buscar ter e manter um interesse real pelas pessoas ao seu redor, especialmente em momentos de crise. A terapeuta e consteladora Alessandra Pais fala que todo mundo, em tempos como esses, vive uma pandemia pessoal, no entanto, é possível oferecer empatia para as pessoas mais próximas, buscando saber se elas estão bem e como estão lidando com o momento. Outras recomendações importantes:

  • Se possível, disponibilize-se a ouvir: quando uma pessoa está angustiada, muitas vezes o que ela precisa é alguém disposto a escutar - e isso basta. Se estiver ao seu alcance, seja essa pessoa.

  • Não leve comentários como "queria sumir" de forma leviana: se, em conversas, alguém comenta que "gostaria de desaparecer" ou que "queria morrer", entenda como um sinal de alerta.

  • Ofereça ajuda especializada: caso você perceba que a pessoa em questão está realmente desesperada e desamparada, ofereça ajuda para direcioná-la a um profissional adequado. Como o tabu sobre doenças mentais ainda é grande, ter por perto alguém que estimule e acompanhe essa busca pode ser essencial.

Outro ponto importante é lembrar de, acima de tudo, cuidar de você também. É sempre válida aquela máxima que ouvimos quando se viaja de avião: "em caso de emergência, coloque primeiro a máscara de oxigênio em si mesmo e depois ajude a pessoa mais próxima de você". Ou seja, acima de tudo, garanta a sua própria saúde mental para que você consiga, também, oferecer suporte para alguém que precisa.

Um último lembrete essencial é que existem serviços de terapia e atendimento psicológico gratuito e online sendo oferecido em todo o Brasil. Você também pode buscar suporte emocional por meio de serviços como o CVV, o Centro de Valorização à Vida, discando 188 a qualquer hora do dia. A ligação é gratuita.