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Medo e luto aumentam procura por startups de saúde mental

FILIPE OLIVEIRA
·3 minuto de leitura

SÃO APULO, SP (FOLHAPRESS) - A pandemia de Covid-19 teve como consequência uma onda de crescimento para as startups de atendimento psicológico online. O setor, que existe há mais de cinco anos mas ainda não havia decolado, atraiu investimentos e avançou no desenvolvimento de novos serviços para pacientes e empresas. Segundo os empresários, a angústia gerada por fatores como o distanciamento social provocado pela Covid-19, o medo e o luto incentivaram mais buscas pelo serviço, ao mesmo tempo em que as restrições a consultas presenciais diminuiu a resistência que pacientes e psicólogos tinham em relação ao atendimento virtual. Tatiana Pimenta, da startup Vittude, diz que seu negócio acelerou cinco anos em um. A companhia foi de sete clientes corporativos, que subsidiam o atendimento de seus funcionários, para mais de cem. Ela afirma que a pandemia fez com que a piora na saúde mental dos funcionários passasse a impactar os custos e a produtividade das empresas, o que as fez olhar para o setor. "Saúde mental deixou de ser algo que as pessoas não queriam discutir e virou estratégico e crítico." O perfil também mudou. Antes eram startups que procuravam o serviço, agora ele já é buscado por multinacionais, afirma Pimenta. Outra diferença é que agora a startup investe no desenvolvimento de treinamentos e palestras para tratar de saúde mental com executivos e diagnósticos de saúde mental para empresas. Pimenta diz que a Vittude vem sendo procurada por investidores e deverá anunciar uma injeção de recursos no terceiro trimestre deste ano. Acompanhando o crescimento do setor, o ZenKlub levantou R$ 61 milhões em investimentos durante a pandemia, em rodadas de captação anunciadas em maio do ano passado e fevereiro deste ano. Rui Brandão, sócio da startup, diz que a nova captação veio após um período tão curto porque a startup atingiu seus objetivos antes do planejado. Ele afirma que, antes da pandemia, a empresa tinha 15 clientes corporativos. Agora são 265. Com isso, o total de atendimentos da plataforma cresceu 12 vezes e chegou a 60 mil por mês, diz Brandão. A estrutura da startup também mudou para se adequar ao novo cenário. O ZenKlub foi de 15 para 100 funcionários. Brandão atribui o crescimento do setor, de um lado, à quebra do preconceito em relação à terapia online provocado pelo distanciamento social e, de outro, ao sofrimento causado pela pandemia. "Quem não sente nenhum impacto emocional com tudo o que estamos vivendo não é um ser social", afirma. Além de oferecer consultas online, o ZenKlub investe na produção de conteúdo próprio sobre saúde mental, incluindo vídeos e podcasts sobre temas como meditação, respiração, sono, produtividade e liderança. No catálogo da startup há nomes como Monja Coen e Mario Sergio Cortella. Parte do conteúdo é livre e outra depende de assinatura para acesso. Além dos investimentos, o setor também viu a Psicologia Viva, de terapia online, se unir à Conexa, de telemedicina, no final de março. Fabiano Carrijo, presidente da Psicologia Viva, diz que a companhia cresceu de 6.000 consultas por mês em janeiro de 2020 para 90 mil em março deste ano. Com isso, saltou de 25 para 150 funcionários. A startup testa um aplicativo de saúde mental a ser oferecido para grandes empresas. Entre temas a serem tratados no serviço estão saúde financeira, meditação e treinamento da mente, diz. A companhia também tem como meta oferecer a empresas clientes indicadores sobre saúde mental, com informações anônimas a respeito dos motivos de procura por consultas e impacto delas no volume de faltas e na produtividade das equipes. Também com negócios acelerados na pandemia, a startup Eureka, que une rede de franquias de atendimento terapêutico, conteúdo de educação online para psicólogos e clube de livros sobre o tema, saltou de 4 franqueados no início da pandemia para 42 em 2021, segundo o sócio Júlio Frota Lisbôa.