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Medo de coronavírus camufla momento de grande criação de empregos nos EUA

Por Delphine TOUITOU
(Fevereiro) Fábrica de automóveis na cidade americana de Lansing

A economia americana mostrou uma forte criação de empregos em fevereiro, mas o medo em relação ao novo coronavírus encobre esta boa notícia e desgasta um dos principais argumentos usados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de sua reeleição.

A economia do país criou 273 mil empregos em fevereiro, segundo dados do Departamento do Trabalho publicados nesta sexta-feira (06), um número que superou as expectativas dos especialistas. Além disso, o governo revisou para cima os dados de janeiro.

"Empregos, empregos, empregos!", comemorou o presidente no Twitter.

"Os dados de emprego são incríveis", disse aos jornalistas.

Trump tem motivo para ficar feliz: a taxa de desemprego caiu 3,5%, o seu nível mais baixo em 50 anos.

Diante do nervosismo que reina nos mercados, também pediu ao Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) que volte a cortar os juros, que já baixou meio ponto percentual nesta semana por causa do coronavírus, apesar de que "os fundamentos da economia americana continuam sólidos".

"O Fed deveria fazer cortes (nos juros) e estimular mais (a economia)", declarou Trump nesta sexta.

Com companhias aéreas que cada vez mais mantêm suas aeronaves em terra, turistas chineses que não viajam aos EUA, cadeias de produção conturbadas, os economistas antecipam um freio no crescimento.

Os economistas temem principalmente uma possível expansão da epidemia, obrigando as autoridades a fechar escolas e confinar milhões de pessoas em casa, o que eventualmente gere demissões em massa.

O consumo representa mais de 60% do PIB nos Estados Unidos.

O país tem níveis de contágio relativamente baixos. As autoridades sanitárias registraram 200 casos em 15 estados, e 12 mortos pela doença.

- Ameaça ao consumo -

Diante da epidemia, o Congresso aprovou nesta quinta um plano de emergência de US$ 8,3 bilhões para combater o coronavírus.

Mais de 100 mil pessoas foram contagiadas com o COVID-19 em todo o mundo, e mais de 3.400 morreram por causa do doença em 91 países, segundo balanço divulgado pela AFP com base em fontes oficiais nesta sexta às 12h, no horário de Brasília.

Apesar dos bons números do emprego, Wall Street continuou em baixa nesta sexta.

"Os mercados voltarão a despontar", opinou Trump.

O seu conselheiro econômico, Larry Kudlow, também buscou transmitir serenidade.

"Afirmo e continuarei afirmando que todos os problemas econômicos serão temporais e de curta duração", disse à emissora americana CNBC.

"O vírus não durará para sempre", ressaltou.

Os economistas, por sua vez, comemoraram os dados do emprego desta sexta na maior economia do mundo.

A média de novos empregos formais nos Estados Unidos nos últimos três meses foi de 243 mil. Em 2019, esse número foi de 178 mil.

Incluindo a indústria manufatureira, que sofreu no ano passado por causa da guerra comercial com a China, criou 15 mil empregos em fevereiro.

"Os dados do emprego de fevereiro mostram fundamentos muito bons do mercado de trabalho antes da epidemia do coronavírus", alertaram Gregory Daco e Lydia Boussour, economistas da Oxford Economics.

"No entanto, ainda que empregos sólidos e aumentos de salário estimulem o consumidor, o vírus continuará contaminando sua vontade de gastar", concluíram.