Medo de abismo fiscal faz Bolsa de NY fechar em queda

Os principais índices acionários da Bolsa de Nova York fecharam em queda nesta quinta-feira, pressionados mais uma vez pelos temores com o abismo fiscal nos Estados Unidos. Os indicadores econômicos divergentes divulgados mais cedo foram insuficientes para animar os investidores, assim como notícias positivas vindas da Europa. O otimismo iniciado na sessão anterior com as decisões do Federal Reserve também teve vida curta.

O índice Dow Jones perdeu 74,73 pontos (0,56%), fechando a 13.170,72 pontos. O Nasdaq recuou 21,65 pontos (0,72%) e terminou a 2.992,16 pontos. O S&P 500 teve queda de 9,03 pontos (0,63%), encerrando a 1.419,45 pontos.

O entusiasmo visto na véspera nos mercados financeiros logo após a decisão do Federal Reserve de continuar fornecendo estímulos à economia dos EUA foi apagado à medida que a questão do abismo fiscal voltou ao centro das atenções. O próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, afirmou que o problema pode causar impactos econômicos que fugiriam do alcance das ações do banco central.

Nesta quinta-feira, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, voltou a dizer que o presidente norte-americano, Barack Obama, não está levando a sério os cortes nos gastos do governo. Ele acusou a Casa Branca de "levar a economia em passo lento". "É claro que o presidente não está levando a sério os cortes nos gastos, mas os gastos públicos são o verdadeiro problema", disse. Ele afirmou ainda que o Congresso nunca vai abrir mão do poder sobre o orçamento.

Porém, perto do fim da sessão em Nova York, a Casa Branca informou que Obama e Boehner vão se encontrar às 20h (horário de Brasília), para discutir a questão fiscal. E isso ajudou os índices a reduzir perdas. "Faltam menos de três semanas para o fim do ano e, pelo menos na superfície, parece que há pouco progresso sendo feito em direção a um consenso", comenta Jim Baird, estrategista-chefe de investimentos da gestora Plante Moran Financial Advisors.

Os indicadores econômicos dos EUA não conseguiram injetar otimismo nos mercados. O número de pedidos de auxílio-desemprego diminuiu para 343 mil na semana passada, melhor do que a queda para 367 mil prevista pelos economistas. O índice de preços ao produtor (PPI) caiu 0,8% em novembro ante outubro, uma queda maior do que a de 0,5% esperada. Os estoques das empresas aumentaram 0,4% em outubro ante setembro, em linha com o esperado. No entanto, as vendas no varejo cresceram 0,3% em novembro ante outubro, abaixo da estimativa de 0,5%.

Enquanto isso, na Europa, os ministros das Finanças da zona do euro concordaram em desembolsar 49,1 bilhões de euros para a Grécia, sendo cerca de 34,4 bilhões de euros ainda neste mês. Antes disso, os ministros haviam chegado a um consenso para a criação do supervisor bancário europeu, cujo papel será desempenhado pelo Banco Central Europeu (BCE).

Durante a tarde, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a perspectiva para o rating AAA do Reino Unido de "estável" para "negativa", devido aos receios com a crescente dívida pública do país e os temores com a recuperação econômica.

No noticiário corporativo, as ações do setor de tecnologia lideraram as perdas, seguidas pelo setor de energia e saúde. Os papéis da Apple perderam 1,73%, fechando no menor nível em quase um mês. Já a ExxonMobil recuou 0,97%. Entre as blue chips, também apareceram no território negativo a Boeing (-1,52%) e a Merck (-1,96%).

Em contrapartida, as ações do Google avançaram 0,74%, após a companhia lançar uma versão para downloads do seu aplicativo para mapas. A Best Buy saltou 15,93%, depois de relatos de que seu fundador, Richard Schulze, fará uma oferta formal de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões para comprar todas as ações em circulação, o que deve ocorrer até sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

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