Mercado fechado

Médico de Maradona se tornou popstar na Argentina durante a internação do ídolo

Colaboradores Yahoo Esportes
·4 minuto de leitura
Doutor Leopoldo Luciano Luque ao lado de Maradona. Foto: Reprodução/Instagram
Doutor Leopoldo Luciano Luque ao lado de Maradona. Foto: Reprodução/Instagram

O telefone de Leopoldo Luciano Luque, 40 anos, hoje toca bem menos. No começo de novembro, ele foi obrigado a deixar o aparelho sem som por dias. Afirma que se não fizesse isso, enlouqueceria por causa da quantidade de ligações e mensagens. Enquanto seu paciente mais famoso, Diego Maradona, esteve internado, primeiro em La Plata, depois em Buenos Aires, ele se transformou em dos rostos mais famosos da Argentina.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Esportes no Google News

Suas entrevistas eram aguardadas como se fossem um pronunciamento presidencial.

"É estranho isso. Se eu quisesse ser reconhecido nas ruas, não teria estudado medicina. É uma responsabilidade saber que tanta gente espera o melhor de você, mas não me incomodou", afirma ele ao Yahoo Esportes.

Leia também:

Maradona recebeu alta no último dia 11 após Luque confessar que o ex-jogador pediu várias vezes para deixar a clínica. Atualmente se recupera em casa. O neurocirurgião não dá detalhes sobre a saúde do campeão mundial de 1986.

"Ele está bem e em recuperação. É só o que posso dizer", desconversa.

Foi feito um pacto entre familiares e amigos para que Diego ficasse longe dos olhos do público até estar bem de verdade. Tem ignorado também as partidas do Gimnasia y La Plata, onde é técnico. A última pessoa a quebrar esse acordo de silêncio foi Luque. O médico publicou uma foto com o paciente antes dele sair do hospital. A filha do ídolo argentino, Dalma Maradona, ficou furiosa.

Isso também não é um assunto que ele queira comentar.

Leopoldo Luque em um dos vários dias de Maradona internado. Foto: Marcos Brindicci/Getty Images
Leopoldo Luque em um dos vários dias de Maradona internado. Foto: Marcos Brindicci/Getty Images

Foi o neurocirurgião quem convenceu paciente, que também chama de “amigo”, a ir para o hospital em 31 de outubro, um dia após completar 60 anos. Luque o encontrou abatido, prostrado na cama e a reclamar de dores no corpo. Os rumores são que Maradona estava deprimido. O médico não confirma isso. Uma tomografia revelou que ele tinha um hematoma interno na cabeça e tinha de passar por cirurgia.

"Diego me disse que não bateu a cabeça ou teve qualquer choque. Perguntei várias vezes. Não é algo tão incomum assim um hematoma interno provocado por qualquer batida sem gravidade, tão leve que a pessoa não se lembra. Mas era necessário fazer a cirurgia. Não era delicada ou grave, mas nunca é simples uma intervenção em que é preciso abrir a cabeça de um homem de 60 anos de idade", avalia.

Luque saiu da clínica para atender a imprensa após o procedimento e dizer que esta tinha sido um sucesso. Foi abraçado por vários torcedores que faziam plantão no local, como se tivesse feito um gol pela Argentina na Copa do Mundo. Tal qual seu homônimo, atacante que fez parte do elenco campeão em 1978.

Ele ri com a lembrança.

"Isso é o que Maradona representa para o país. É uma devoção constante."

Torcedor na porta do hospital, cena comum na internação de Maradona. Foto: Juan Mabromata/AFP via Getty Images
Torcedor na porta do hospital, cena comum na internação de Maradona. Foto: Juan Mabromata/AFP via Getty Images

A imprensa local divulgou que ao chegar ao hospital em La Plata, os médicos se assustaram com a quantidade de remédios que Diego tomava e vários deles, em intervalos irregulares. Alguns não faziam mais efeito e outros mexiam demais com o organismo do ex-jogador. Leopoldo Luque confirma que o Maradona teve de passar por um processo de readaptação a medicamentos e que foi mantido sedado por causa de crises de abstinência. Mas é só. Não entra em detalhes.

"O importante é que ele está bem. Não chamaria de susto porque parece algo muito leve. Foi um alerta. Eu disse isso durante a internação e posso repetir Diego é um paciente difícil. Uma pessoa sensacional, mas difícil", ressalta.

O neurocirurgião quer dizer com isso que o jogador visto quase como deus pelos argentinos têm suas próprias vontades e estas não costumam ser contrariadas.

Luque o encontrou pela primeira vez em 2018, quando Maradona era técnico do Dorados de Sinaloa, no México, e reclamava de muitas dores no joelho direito. O médico o recomendou passar por cirurgia imediatamente na articulação. Começou a tratá-lo no ano passado porque ele reclamava de dificuldades para dormir e relaxar.

Depois disso, passou a cuidar de todos os problemas de saúde do ex-carque que, depois de muita insistência, começou a seguir suas orientações. Em uma postagem no Instagram, chegou a dizer que o Leopoldo Luque era uma pessoa da família.

"Diego é sempre rebelde e leva tempo para conquistar sua confiança, mas quando isso acontece, é muito leal aos amigos. Eu lhe disse que se quisesse ficar bem, teria de mudar algumas coisas, precisava perder peso, alterar algumas rotinas. Ele disse que faria aquilo e fez mesmo. Quando coloca uma coisa na cabeça, é muito determinado", conclui.

Leopoldo Luque espera que sua última intervenção para internar Diego Maradona. Mas diante do muro que se construiu ao redor do ex-camisa 10 argentino, afirma que se voltar a precisar dele, basta chamá-lo.

Siga o Yahoo Esportes no Instagram, Facebook e Twitter

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos