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Medição sugere que universo tem 13,7 bilhões de anos, mas ainda há incertezas

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

Um artigo publicado em dezembro de 2020 revela um estudo realizado com o Atacama Cosmology Telescope (ACT), no Chile, e sugere que o universo tem 13,772 bilhões de anos (com margem de erro de 39 milhões de anos para mais ou menos). Embora o estudo corrobore com algumas medições anteriores feitas de maneira semelhante, ele também reforça uma discrepância crescente nos cálculos feitos com outros métodos.

O tema é um dos maiores desafios da cosmologia atual, porque todos os métodos utilizados para medir a idade do universo estão corretos, são de alta precisão e contam com equipamentos eficazes, mas apresentam resultados ligeiramente distintos. Isso significa que há algo fundamental que os cientistas podem estar deixando despercebido.

Em 2019, por exemplo, uma equipe mediu os movimentos das galáxias para fazer este cálculo, e concluiu que o universo é centenas de milhões de anos mais novo do que a equipe do Planck (um satélite da Agência Espacial Europeia) havia determinado em 2009. Essa diferença sugeria que um novo modelo para a cosmologia poderia ser necessário, e os cientistas ficaram preocupados. Afinal, o modelo atual é usado para muitas pesquisas sobre o cosmos.

Bem, o novo estudo realizado com o ACT sustenta as medições do Plank, o que por um lado é um alívio. Por outro lado, o problema ainda não está resolvido. Mesmo que a idade do universo seja, de fato, 13,772 bilhões de anos, é necessário saber o que houve de errado com os outros cálculos. Ou seja, mais importante do que determinar quando o cosmos nasceu, é descobrir por que as discrepâncias ocorrem.

Esta imagem da radiação cósmica de fundo mostra diferenças na temperatura, mas não se engane pelos tons vermelhos e azuis. As diferenças são muitíssimo pequenas (Imagem: Reprodução/NASA/ WMAP Science Team)
Esta imagem da radiação cósmica de fundo mostra diferenças na temperatura, mas não se engane pelos tons vermelhos e azuis. As diferenças são muitíssimo pequenas (Imagem: Reprodução/NASA/ WMAP Science Team)

Tanto o Plank quanto o ACT fizeram suas medições através do mesmo método: a análise da radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB, na sigla em ingês). Trata-se de uma radiação quase tão antiga quando o próprio cosmos, algo como um fóssil da luz de uma época em que o universo era quente e denso, apenas 380 mil anos após o Big Bang. O CMB está em todos os lugares do espaço e revela muitas informações sobre aquela época em que o universo era jovem.

Através do CMB, os cientistas também podem medir a taxa de expansão do universo — ou Constante de Hubble, que é outro número que está deixando os astrônomos confusos. Embora o método do CMB mostre uma taxa de expansão de 67,6 km/s/Mpc (um megaparsec, abreviado como Mpc, é igual a 3,26 milhões de anos-luz), outros métodos de medição — como a observação de supernovas em galáxias distantes ou de lentes gravitacionais — encontraram resultados ligeiramente diferentes, como 73 km/seg/Mpc.

Esses números são próximos, mas a diferença é desconcertante. Algo deve estar errado, mas os métodos são todos precisos. Na verdade, nunca tivemos métodos e instrumentos com tanta precisão como temos hoje. É essencial descobrir onde está o erro para que se possa compreender melhor o universo e criar modelos cosmológicos cada vez mais exatos.

Parece certo dizer que, embora os métodos estejam corretos, estão medindo partes diferentes do universo. Ou seja, olhar para o CMB significa estudar o cosmos quando ele tinha menos de um milhão de anos, enquanto observar outros objetos, como supernovas e lentes gravitacionais, significa olhar para o universo quando ele já tinha alguns bilhões de anos. Isso nos traria uma conclusão complexa: talvez a taxa de expansão do universo não seja tão constante assim e tenha mudado durante esse tempo.

Ainda é cedo para saber o que realmente está errado — ou melhor, equivocado, já que não parece haver um erro de fato. O equívoco pode ser na forma de interpretar o que está sendo observado. Se a taxa de expansão de fato mudou ao longo dos primeiros bilhões de anos, os cientistas terão um trabalho a mais para descobrir como e por que isso ocorreu, mas pelo menos dormirão tranquilos sabendo que todos os métodos de medição estavam corretos, no fim das contas.

Fonte: Canaltech

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