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Medalha é bom, mostrar cultura do skate é ainda melhor, dizem os olímpicos Quintas e Luizinho

·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A estreia do Brasil no skate olímpico, com a conquista de duas medalhas de prata na categoria street, foi um importante passo para derrubar a resistência que ainda existe em torno do esporte no país.

O caminho aberto por Rayssa Leal, 13, e Kelvin Hoefler, 28, os medalhistas nas Olimpíadas de Tóquio, será trilhado agora pela equipe da categoria park. Pedro Quintas, 19, e Luiz Francisco, 20, estão entre os favoritos na briga pelo ouro, na madrugada desta quarta-feira (4).

Como parte da primeira geração a representar o Brasil na estreia da modalidade nos Jogos Olímpicos, os dois acreditam que as disputas no Japão têm um valor maior do que a briga pelo lugar mais alto do pódio.

"Claro que todo mundo que está indo quer uma medalha, mas a gente do skate pensa um pouco diferente dos outros esportes. Nós queremos mostrar o que é a cultura do skate, por que é tão importante para nós e por que ela salva vidas, além de não ser algo errado, nem marginal, isso ou aquilo", diz Luizinho à reportagem.

"O bom é que a gente tem visto cada vez mais pais mudando essa mentalidade, dando skate para os seus filhos", acrescenta Pedro.

O esporte que fez de Rayssa a mais jovem medalhista da história do país e que já foi marginalizado e até proibido no fim da década de 1980 em São Paulo, berço nacional da modalidade, passa por um processo de expansão.

A cidade conta atualmente com 113 pistas, espalhadas dentro de parques, centros esportivos, praças e parques, segundo a prefeitura. A presença do governador João Doria (PSDB) no evento de lançamento do Mundial de Park, em 2019, foi outro reflexo disso.

"Teve uma pequena melhora, mas com certeza não é nada comparado ao que ainda está por vir, ao que eu espero que aconteça [após as Olimpíadas]", afirma Pedro, antes de apontar algumas carências. "Ainda não temos pistas de qualidade, não temos apoio necessário, e as marcas de fora do skate ainda não entraram de cabeça nesse mercado."

Já houve alguns avanços nesse sentido. Desde o anúncio da entrada do skate no programa dos Jogos de Tóquio, a CBSk (Confederação Brasileira de Skate) passou a receber verbas públicas por meio da Lei Piva, que determina a destinação de parte da arrecadação das loterias federais ao Comitê Olímpico do Brasil.

Foram esses recursos que permitiram a criação da seleção brasileira de skatistas, que representa o país no Japão, além de custear a participação da equipe em eventos nacionais e internacionais.

Nas Olimpíadas, apenas o Brasil e os EUA garantiram 12 vagas. Ambos têm equipes maiores até do que os anfitriões --são dez competidores japoneses na modalidade.

"Eu acredito que essas são as duas maiores potências do skate. Mas qualquer um que está ali tem totais condições de ganhar o ouro", afirma Luizinho.

Pedro também está confiante, principalmente porque ele mudou seus hábitos desde que o esporte entrou no programa olímpico. Agora, dá uma atenção maior ao seu condicionamento físico. "Sempre gostei de comer besteiras, mas cada vez mais estou me regrando. Isso se reflete não só no meu skate, mas também em todos os aspectos da minha vida."

Luiz compartilha da visão do amigo e entende que a carreira de um skatista em alto nível não costuma ir além dos 30 anos. "A gente tem consciência de que tem uma carreira curta. E se a gente não se cuidar vai acabar mais cedo ainda."

E não é só com o futuro deles que os dois se preocupam. Eles querem incentivar a formação das próximas gerações. Em meio à pandemia de Covid-19, que impede aglomerações nas pistas de skate, como sempre foi comum, é pela internet que a dupla tenta influenciar as crianças.

Desde a chegada a Tóquio, na noite da terça-feira (27), os skatistas têm feito o que já se tornou um hábito comum para todos os atletas: encheram suas redes sociais com fotos e vídeos das instalações olímpicas.

"Todo mundo quer saber como é a Vila Olímpica, como é o refeitório dos caras, é muito legal poder mostrar essa parte. Se eu não estivesse ali, iria gostar de ver só para saber como é", diz Pedro. "É louco pensar que não vai poder ter pessoas lá, mas ao mesmo tempo vai ter milhões de pessoas te apoiando", emenda Luiz.

Antes de embarcar para Tóquio, a dupla trabalhou justamente para ampliar a presença na internet e atrair novos fãs. Eles fecharam uma parceria com a Loud, organização de e-sports e criação de conteúdo, que atrai milhares de seguidores nas redes sociais.

"A Loud é focada na geração Z, então cada vez mais crianças vão conhecer o skate e querer andar. É legal imaginar que uma criança que te viu no vídeo vai querer andar também", afirma Pedro.

O próprio COI (Comitê Olímpico Internacional) tem pensado mais nesse público jovem e a entrada não só do skate, mas do surfe e do BMX Freestyle (competição de manobras de bicicletas) nos Jogos Olímpicos tem como objetivo rejuvenescer os espectadores do evento.

"É importante atrair novas gerações para assistir às Olimpíadas, principalmente porque tem esportes que são legais, como tiro ao alvo, arremesso de dardo, mas que não é o que a molecada quer assistir", diz Luiz.

Além de Pedro Quintas e Luiz Francisco, integram a seleção brasileira da equipe park Dora Varella, Isadora Pacheco, Yndiara Asp e Pedro Barros.

Assim como na modalidade street, o park contará com 20 skatistas por categoria (feminino e masculino). As disputas são divididas em preliminares e final (oito melhores).

Nas classificatórias e na final, cada skatista terá direito a três voltas de 45 segundos. A pontuação é definida pela volta com maior nota.

Dora, Isadora e Yndiara vão competir na terça-feira (3), a partir das 21h (de Brasília) enquanto Pedro, Luiz e Pedro Barros disputam as provas na quarta-feira (4), no mesmo horário.

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