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Mecanismo de busca alemão financia plantio de árvores

Natalia Drozdiak

(Bloomberg) -- Quando as queimadas atingiram a Amazônia em meados do ano e o desmatamento subiu para níveis surpreendentes, usuários começaram a baixar um mecanismo de busca alemão em uma modesta iniciativa para combater a destruição.

O Ecosia, uma alternativa ao Google com sede em Berlim, doa até 80% do lucro obtido com a exibição de anúncios nos resultados de pesquisas para o plantio de árvores em todo o mundo.

Com o aumento da conscientização sobre o impacto das mudanças climáticas - como inundações que afetam colheitas ou secas que restringem o fornecimento de água -, o Ecosia diz que está atraindo mais usuários como resultado.

“É fácil subestimar o enorme impacto que o plantio de árvores pode ter, com o reflorestamento sendo a arma mais barata e mais efetiva na luta para salvar o planeta”, disse o CEO do Ecosia, Christian Kroll, em entrevista.

A empresa diz que as pesquisas em seu serviço aumentaram 82% em relação ao ano passado, impulsionadas pela maior conscientização das pessoas em relação às questões climáticas, também influenciadas pelo ativismo da adolescente Greta Thunberg. Em 22 de agosto, as buscas no Ecosia aumentaram 1.150% em relação à média diária, quando as notícias sobre os incêndios na Amazônia se espalhavam pelo mundo.

O Ecosia normalmente registra 25 mil buscas por dia, mas em 22 de agosto o número saltou para mais de 250 mil, informou a empresa.

Em média, 45 buscas no Ecosia geram lucro suficiente para plantar uma árvore, cujo custo é de US$ 0,25, disse Kroll. Além do plantio de árvores, a empresa também possui um programa no Brasil para impedir a propagação de incêndios florestais, remunerando bombeiros para apagá-los e educando as pessoas nessas áreas para não iniciarem queimadas.

Kroll disse que começou a negociar ações aos 16 anos. Estudou administração de empresas, antes de decidir mudar de curso após longas viagens à Índia, Nepal e América Latina, onde foi exposto à pobreza e à extinção de espécies.

Ele usou os ganhos acumulados no mercado para lançar o Ecosia há 10 anos. Em 2018, a empresa gerou receita de mais de 9 milhões de euros (US$ 10 milhões). Agora, possui mais de 8 milhões de usuários ativos, de acordo com um porta-voz, permitindo que a empresa beneficente certificada plante mais de 74 milhões de árvores em todo o mundo, incluindo no Brasil, Madagascar, Burkina Faso e Indonésia.

A empresa diz que tem como objetivo o plantio de árvores em áreas de biodiversidade importantes para proteger o maior número possível de espécies de plantas e animais. O executivo trabalha com organizações locais para plantar árvores que atendam às necessidades mais urgentes da comunidade local, como fornecer empregos, lenha, comida ou solo fértil.

Ao contrário do Google, o Ecosia não direciona anúncios para usuários, embora isso possa render à empresa mais recursos para plantar árvores. Ele afirma que também visa proteger o máximo possível a privacidade do usuário, sem rastrear ou vender dados a anunciantes e criptografando pesquisas.

O mecanismo de busca alemão disse que pretende implantar mais serviços ecológicos, como destacar opções mais sustentáveis de viagens nos resultados das buscas.

Outra possibilidade em análise: um assistente pessoal com consciência verde. “Mas sem ser muito chato”, disse Kroll.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Natalia Drozdiak Brussels, ndrozdiak1@bloomberg.net

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