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MEC vai elaborar edital para ‘livrar escolas de doutrinação’

Renan Truffi

Pasta prepara transformação do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), após polêmica levantada pelo presidente Jair Bolsnaro sobre conteúdo O secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Antonio Paulo Vogel, disse nesta quinta-feira que o governo está elaborando um novo edital do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) para que os livros didáticos, distribuídos nas escolas de todo o país, fiquem livres de “doutrinação”, “seja de um lado, seja de outro”. Como exemplo sobre que tipo de conteúdo deveria sair do material escolar, ele citou o debate sobre a questão de gênero no Brasil.

“São processos que vamos fazer aos poucos. Não dá para ficar antecipando coisas que vamos fazer ao longo deste ano. Tudo isso faz parte de um processo de amadurecimento e processo burocrático aqui. O PNLD é um programa bastante antigo — dos anos 1980, praticamente —, tem fluxo definido e atua em determinados momentos que esse fluxo permite. É claro que o momento agora é um momento que esse fluxo permite, que vão ser feitos os editais e licitações”, disse.

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“O objetivo para o PLND é que os livros sejam de ensino. E qualquer coisa que diga respeito a doutrinação, ou coisa do gênero, não vai existir. Seja de um lado, seja de outro. Em 2021 vamos ter livros que serão frutos de contratação da nossa gestão”, complementou.

A polêmica sobre a mudança nos livros didáticos se deu depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro, dizer que o governo vai “suavizar” os conteúdos que são entregues hoje aos estudantes brasileiros. "Os livros hoje em dia, como regra, é um montão, um amontoado... muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo", afirmou Bolsonaro.

Questionado novamente sobre o que poderiam ser esses livros "suavizados", Vogel disse que não poderia explicar o termo utilizado por um dos repórteres. "Já que você que criou essa palavra ‘suavizado’, você pode explicar, porque eu não entendi”, rebateu.

Em seguida, o secretário-executivo foi informado pela imprensa que a palavra havia sido empregada, na verdade, pelo próprio presidente na tentativa de explicar essas mudanças. Sobre isso, Vogel disse que "não há nenhuma grande novidade".

"Livro didático é um livro e ensino. Acabou, simples. As matérias estão todas lá tudo perfeito. Não há nenhuma grande novidade nessa história. Simples assim, vamos deixar acontecer e os senhores vão ver na medida em que for acontecendo. Não tenho mais o que falar em relação a isso", disse.

Ao ser perguntado sobre o assunto novamente, o secretário-executivo disse que não iria mais responder perguntas sobre o tema, mas acrescentou que os editais a serem publicados não terão "nada de diferente".

“Não tenho mais o que comentar em relação a isso. Os editais vão sair, os livros serão entregues normalmente. Não vai ter nada, enfim, de muito diferente. O edital vai falar no que diz respeito a determinada parte dos livros que vão ser distribuídos. Não temos mais o que falar”, encerrou.