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Maxwell Alexandre vai a Paris e preenche Palais de Tokyo com corpos negros

·4 min de leitura

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Na última quinta-feira (25), o artista carioca Maxwell Alexandre, de 31 anos, fez um exercício que costuma praticar com frequência: ao chegar ao museu Palais de Tokyo para a abertura de sua primeira exposição individual em Paris, olhou em volta à procura dos corpos negros. "Novamente, eram os dos seguranças", constatou.

A reivindicação da presença do negro como frequentador de museus e galerias -assim como o acesso aos códigos da arte, historicamente restritos à elite branca- constituem o tema de "Novo Poder", mostra de Maxwell inaugurada semana passada, em cartaz na capital francesa até 20 de março de 2022.

"Poderia fazer uma série só de carros, de ostentação, mas preferi a arte contemporânea. Para mim, a longo prazo, é a melhor forma de ascensão: trata-se da disputa pela narrativa que vai deixar um legado para o futuro. É mais do que dinheiro, é capital intelectual", disse ele em entrevista a este jornal na última sexta (26), em Paris.

As 42 obras expostas no Palais de Tokyo foram escolhidas entre mais de cem criadas por Maxwell especialmente para a mostra. Patrocinadas pelo programa SAM Art Project, da mecenas brasileira residente na França Sandra Hegedüs, elas são um desdobramento de "Pardo é Papel", série que trata do empoderamento da população negra moradora de favelas como a Rocinha, onde o artista nasceu e vive até hoje. É também o trabalho responsável por alçar Maxwell ao grupo das novas estrelas da arte contemporânea brasileira.

Com pinturas que hoje valem de US$ 15 mil (cerca de R$ 84 mil) a mais de US$ 100 mil (por volta de R$ 560 mil), o artista está presente em acervos como o do Masp, do MAM-RJ, além do Perez Museum, em Miami. O Museu de Arte Contemporânea de Lyon, na França, onde Maxwell realizou, em 2019, sua primeira mostra internacional, também adquiriu obras dele. Foi lá, enquanto expunha "Pardo é Papel", que o artista criou os três primeiros quadros de "Novo Poder".

Sempre em papel pardo, com grandes dimensões, sem moldura (os trabalhos ficam pendurados), pintados com tinta de parede e outros materiais como polidor de sapato e henê, um cosmético que alisa e tinge o cabelo de preto. "O henê é um produto químico que fala muito sobre as mulheres da favela. Minha mãe usava, minha irmã também. Quando comecei a pintar, o escolhi por necessidade financeira. Mas não deixa de ser coerente com a minha obra", conta o ex-patinador profissional, desenhista desde criança, que se decidiu pela carreira de artista na faculdade de design da PUC-RJ, onde se formou em 2016.

As dezenas de pinturas que não entraram na curadoria de Paris, assinada pelo francês Hugo Vitrani, foram transformadas em duas exposições abertas simultaneamente à do Palais de Tokyo: uma na sede da galeria A Gentil Carioca, no Rio, e outra na filial de São Paulo.

A palavra de "Novo Poder" também é espalhada, até o dia 4 de dezembro, na feira Art Basel de Miami, para onde Maxwell criou quatro painéis, três deles expostos no estande da Gentil, que o representa, e o principal no Meridians, nova seção especial dedicada a projetos em larga escala. Estejam no Brasil, nos Estados Unidos ou na França, todos os trabalhos da série são costurados pela ideia central de figuras negras sem rosto, bem-vestidas, circulando totalmente confortáveis e integradas a espaços expositivos de arte contemporânea.

Os quadros que elas observam são telas abstratas, construídas a partir do papel pardo exposto sem pintura, delimitado por faixas de tinta branca formando linhas geométricas. "Nesta série, trabalho com três signos: o preto, o branco e o pardo. O preto é representado pelos personagens negros, envoltos pelo 'cubo branco', o espaço expositivo, do conhecimento acadêmico. O pardo é a arte e uma autorreferência ao próprio papel", afirma.

Cheias de simbologias, as obras parecem revelar outra exposição dentro da exposição. A que os negros ricos, cultos e bem-sucedidos apreciam é a da arte abstrata que Maxwell pintava no início da carreira, considerada por ele "mais pintura", além de exigir mais repertório artístico, que os negros de seus quadros claramente têm. Porque ainda que as letras dos rappers Baco Exu do Blues, Djonga e BK' sigam inspirando sua obra -o título "Novo Poder" vem de uma música de BK'- e servindo como estratégia para aproximar a periferia do museu, é no topo da cadeia da alta cultura que Maxwell quer ver os negros chegarem.

"Existe esse campo da arte que é codificado, e foi codificado justamente para distinguir a gente socialmente. Chamo o preto a se inteirar desses códigos para disputar esse campo de narrativa e de imagem."

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