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Marvel, Avatar e paciência: como a Disney prepara o terreno para a retomada do cinema

Thiago Romariz
·3 minutos de leitura
Foto: Marvel Studios/Disney vía AP
Foto: Marvel Studios/Disney vía AP

Em uma nova leva de adiamentos dos lançamentos do cinema em 2020, a Disney decidiu mover dois dos seus grandes filmes para 2021: Viúva Negra e Eternos. Ainda que seja uma atitude esperada, a movimentação sepulta de vez o cinema este ano, mesmo com a fé inabalável dos realizadores de Tenet, Mulher-Maravilha 1984, Duna ou 007 - Um Novo Dia para Morrer, os últimos grandes blockbusters previstos para estrear durante a pandemia.

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O adiamento não chega a ser um choque, mas confirma, pela primeira vez desde 2009, um ano inteiro sem filmes da Marvel. Durante mais de uma década os cinemas foram alimentados com o gênero que ressignificou a cultura pop de massa. E quando atingia uma estafa e desgaste de público, crítica e renda, veio uma pandemia para frear o ímpeto dos produtores sedentos por novos filmes e lucros – e nos fim das contas, a pausa tem tudo para ser benéfica para a indústria.

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Enquanto alguns estúdios insistem em testar protocolos e a sede do público por cinemas agora, alguns se preparam para os próximos anos no cinema e em outras telas. A começar pela própria Disney, que viu Mulan faturar mais de US$ 250 milhões de dólares no Disney Plus, e ainda guarda a esperança de boas bilheterias em 2021, quando terá seus Vingadores para testar o público.

Olhando mais pra frente, dá pra dizer que a aposta segura é o novo Avatar, que chega em dezembro de 2022 em um mundo teoricamente curado da covid-19 e pronto para encher salas numa escala global.

E se entrarmos no detalhe e pensarmos nos inúmeros lançamentos que o Dsiney+ terá em 2021, quase todos eles ligados à Marvel, o ciclo de interesse do consumidor se fecha – e quase 100% controlado pela Disney, que no mundo digital tem toda receita nas mãos.

As séries de Wandavision, Loki, Falcão, She-Hulk, Ms. Marvel e Gavião Arqueiro se ligarão às tramas do cinemas e, aos poucos, o estúdio poderá promover a volta às telonas com base em conteúdo. Sem pressa, sem afobação, pois o grosso da história estará disponível online.

No meio de toda crise, a Disney faz pequenos testes em parques, mas usa cautela extrema no cinema, seu maior panfleto publicitário desde sempre, e investe no streaming como ainda não havia feito desde o lançamento. Ainda há um caminho longo para a recuperação do cinema, outro tão grande ainda para que a companhia consiga rivalizar com a Netflix no mundo digital; aos poucos, porém, a gigante mostra os primeiros sinais de uma estratégia que deve se desenrolar nos próximos anos.

Tais movimentos mostram que o cinema como a empresa conhecia já morreu, e um novo negócio está sendo montado neste exato momento.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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