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Martine Grael e Kahena Kunze velejam até o ouro e são bicampeãs das Olimpíadas

·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* Rio de Janeiro, Rj, BRASIL. 25/06/2021 - Retrato das velejadoras Kahena Kunze  e  Martine Grael, a dupla é favorita a medalha em Tóquio.  ( Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
*ARQUIVO* Rio de Janeiro, Rj, BRASIL. 25/06/2021 - Retrato das velejadoras Kahena Kunze e Martine Grael, a dupla é favorita a medalha em Tóquio. ( Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

ENOSHIMA, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Cinco anos depois da Baía de Guanabara, agora foi a vez de a ilha de Enoshima, no Japão, ser o palco da medalha de ouro das velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze.

A dupla brasileira conquistou o bi olímpico em Tóquio-2020, nesta terça-feira (3), na regata final da categoria 49er FX, após a prova ter sido adiada em um dia por questões meteorológicas.

As velejadoras terminaram a regata decisiva em terceiro, o suficiente para o título. Alemãs (prata) e holandesas (bronze) completaram o pódio.

O lugar mais alto do pódio nas Olimpíadas, em duas edições consecutivas, confirma o favoritismo pré-Jogos e reafirma o que hoje fica ainda mais evidente em águas japonesas: as brasileiras, parceiras desde 2013, tornaram-se um fenômeno da vela nos últimos anos.

A vitória em Enoshima é a 19ª medalha olímpica do Brasil na vela, um dos esportes mais vitoriosos do país no evento esportivo.

Com exceção das modalidades coletivas, até hoje apenas Adhemar Ferreira da Silva ganhou duas medalhas de ouro em edições consecutivas dos Jogos Olímpicos. A façanha dele no salto triplo foi alcançada em Helsinque-1952 e Melbourne-1956.

Desde então, nem mesmo Robert Scheidt e Torben Grael, cada um com cinco medalhas olímpicas na vela, duas delas de ouro, conseguiram subir ao principal lugar do pódio em sequência.

Martine Grael e Kahena Kunze, ambas com 30 anos, têm dado sequência a uma tradição não só brasileira no cenário mundial como também familiar.

Martine é filha do também velejador Torben Grael, recordista de medalhas olímpicas (cinco no total) entre brasileiros —ao lado do também velejador Robert Scheidt, que terminou em oitavo na classe laser nos Jogos de Tóquio.

Nesta terça, na chamada regata da medalha, nas águas da ilha de Enoshima, as duas velejadoras conseguiram tirar a pequena vantagem obtida pelas holandesas Annemiek Bekkering e Annette Duetz ao fim das 12 regatas que precedem a decisiva.

Pelas regras olímpicas, os barcos disputam num circuito um número determinado de regatas antes da prova decisiva. No caso da categoria 49er FX, foram 12.

O vencedor de cada uma ganha um ponto, o segundo colocado leva dois, e assim segue pelas 21 duplas (no caso dessa categoria) da disputa.

Se um barco não termina uma regata ou é desclassificado, recebe pontuação equivalente ao total de competidores e um ponto adicional. Por exemplo: se 20 barcos estão na competição, quem é penalizado dessa maneira leva 21 pontos.

A pior pontuação nas regatas é descartada, e a chamada “medal race” conta em dobro. Ganha quem tem menos pontos no fim de tudo.

Martine e Kahena chegaram à prova final dependendo só delas. E conseguiram, mais uma vez.

Durante as regatas da semana, as brasileiras mostraram por que são um fenômeno. Por duas vezes terminaram em primeiro lugar e ainda conseguiram uma segunda colocação.

Há cinco anos, a vitória olímpica veio em casa, nos Jogos do Rio, na presença de familiares e amigos. Elas foram carregadas nas areias da Baía de Guanabara.

Nos Jogos de Tóquio-2020, Martine Grael e Kahena Kunze viveram outra realidade. Distância das pessoas do Brasil, isolamento na chegada ao Japão e falta de público devido à pandemia da Covid-19.

Em comum, no entanto, além do calor e beleza das duas praias, a medalha olímpica, reafirmando a dupla brasileira como uma das mais talentosas da vela.

Além das duas medalhas, elas acumulam o ouro no Mundial de 2014 e quatro pratas na mesma competição, em 2013, 2015, 2017 e 2019. Ainda colecionam um ouro (2019) e uma prata (2014) em Pan-Americanos.

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