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Marte pode ter sido mais habitável do que se imaginava, revela estudo

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Parece que, em sua antiguidade, Marte teria sido um ambiente mais habitável do que se imaginava. Ao menos isso é o que sugere um novo artigo que descreve uma expedição a um local análogo ao Planeta Vermelho, no Canadá. Os pesquisadores encontraram indícios de que a antiga água marciana poderia ter servido como berço para formas de vida.

Localizadas no noroeste do continente, próximo ao Oceano Ártico, as Smoking Hills canadenses são uma formação geológica única devido à presença de lamitos (um tipo de rocha sedimentar) auto-combustíveis — em outras palavras, elas se “queimam”. Daí o nome, que pode ser traduzido como “Colinas Fumegantes”.

Com isso, a região produz uma fumaça com gás ácido sulfúrico, liberado por fumarolas cercadas por depósitos minerais. É neste ambiente que os pesquisadores liderados pelo Dr. Steve Grasby, Cientista Pesquisador do Natural Resource Canada's Geological Survey of Canada, decidiram investigar como seria Marte no passado.

O local é tão quente que o Dr. Grasby e sua equipe tiveram que “ter cuidado para que nossas botas não derretessem enquanto trabalhávamos”, relatou o cientista. Os lamitos de Smoking Hills formam algumas das águas naturais mais ácidas e tóxicas da Terra.

Mas o que isso tem a ver com Marte? É que no início de 2004, a sonda robótica Opportunity encontrou por lá um mineral de tons amarelados e marrons chamado jarosita, raro em nosso planeta. A jarosita normalmente precisa de água, enxofre, potássio e um ambiente ácido para se formar, mas esse não é um cenário que esperamos encontrar em Marte. Ainda assim, a substância é bem comum no Planeta Vermelho.

Jarosita encontrada em Smoking Hills, região no noroeste do Canadá (Imagem: Reprodução/Stephen Grasby/ScienceDirect/Creative Commons)
Jarosita encontrada em Smoking Hills, região no noroeste do Canadá (Imagem: Reprodução/Stephen Grasby/ScienceDirect/Creative Commons)

Por isso, especulava-se que Marte teria sido um mundo coberto de lagoas e lagos ácidos no início de sua história, o que explicaria a presença do mineral. Entretanto, seria um ambiente inóspito à vida como conhecemos.

Em seu artigo, o Dr. Grasby examina os lamitos de Smoking Hills. Lá, ele encontrou camadas ricas em jarosita, semelhantes às observadas em lamitos de Marte. Entretanto, segundo Grasby, a jarosita de Smoking Hills se formou em condições muito mais "hospitaleiras", mais especificamente em um "ambiente marinho normal, cheio de vida".

Ou seja, isso sugere que “a jarosita encontrada em Marte não reflete necessariamente condições ácidas severas, permitindo águas de pH quase neutro que seriam mais propícias ao suporte da vida”.

Para saber mais sobre isso, os pesquisadores terão que comparar os minerais encontrados no Canadá com as amostras de jarosita coletadas e observadas pelos robôs em Marte. O estudo foi publicado na ScienceDirect.

Fonte: Canaltech

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