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Marte levou muito mais tempo para se formar do que se imaginava, aponta estudo

Daniele Cavalcante

Parece que Marte demorou muito mais tempo para se tornar um planeta do que se imaginava. Estudos anteriores apontavam que nosso vizinho cresceu rapidamente, de 2 a 4 milhões de anos após o início da formação do Sistema Solar, cerca de 4,6 bilhões de anos atrás. No entanto, um novo estudo mostra que Marte pode ter se formado ao longo de um período de até 20 milhões de anos.

A nova estimativa é por causa dos indícios de que Marte foi “bombardeado” durante um bom tempo após a formação do seu núcleo primário. É que, durante sua era primitiva, o Sistema Solar era um lugar caótico e violento, onde planetesimais (pequenos protoplanetas com até 1.900 quilômetros de diâmetro), asteroides e outros detritos colidiram, moldando os planetas e os corpos celestes que conhecemos hoje.

Esses primeiros impactos cósmicos parecem ter influenciado a trajetória de Marte, fazendo com que sua evolução tenha sido muito mais lenta do que astrônomos pensavam anteriormente. De acordo com o novo estudo liderado por Simone Marchi, Marte provavelmente foi atingido por planetesimais no início de sua história, o que acabou por levar certos elementos ao Planeta Vermelho. Esses elementos, por sua vez, influenciaram a rapidez com que Marte se formou.

Ilustração que mostra como Marte pode ter sido em seus dias iniciais, com sinais de água líquida, atividade vulcânica em larga escala e bombardeio pesado de projéteis planetários (Imagem: SwRI / Marchi)

Usando amostras de meteoritos marcianos encontradas na Terra, os pesquisadores puderam modelar a mistura de materiais que formaram o manto marciano inicial. O estudo revelou que por causa das colisões com planetesimais, Marte recebeu uma variedade de elementos, como tungstênio, platina e ouro. Estes elementos são particularmente atraídos pelo ferro e, por isso, migram do manto de um planeta para o núcleo central de ferro durante a formação planetária.

Estudos anteriores da proporção de isótopos de tungstênio nas amostras de meteoritos marcianos sugeriram que Marte cresceu rapidamente. Como os isótopos de tungstênio são produzidos através de processos de decaimento radioativo ao longo do tempo, a proporção de sua presença no manto de Marte fornece uma pista sobre a linha do tempo da formação do planeta. Mas os novos modelos mostram que as grandes colisões no início podem ter alterado a proporção de elementos no manto marciano.

Acredita-se que esses meteoritos marcianos encontrados na Terra tenham sido arremessados para cá por causa de colisões mais recentes no Planeta Vermelho. Essas amostras de meteoritos nos proporcionam uma oportunidade única para vislumbrar o passado de Marte, pois contêm um registro da história do planeta. "Para entender completamente Marte, precisamos entender o papel das primeiras e mais energéticas colisões em sua evolução e composição", afirmou Marchi no comunicado.


Fonte: Canaltech

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