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Marte: Curiosity encontra fragmentos de registros de rocha que foram apagados

·4 minuto de leitura
Marte: Curiosity encontra fragmentos de registros de rocha que foram apagados
Marte: Curiosity encontra fragmentos de registros de rocha que foram apagados

Minerais carregam evidências em seus registros capazes de contar a história do lugar onde são encontrados. E Marte tem um verdadeiro tesouro de rochas incrivelmente antigas, nas quais o rover Curiosity vem descobrindo muitas informações sobre o planeta. As camadas de rochas da cratera Gale, local de exploração da sonda, são o material ideal para isso.

Um estudo liderado pela equipe responsável pelo instrumento de Química e Mineralogia do rover, o CheMin, publicado nesta quinta-feira (9) na revista Science, detalha a compreensão dos cientistas de onde os registros de rocha preservaram ou destruíram evidências do passado de Marte e de possíveis sinais de vida antiga.

Esta rocha em camadas uniformes fotografada pelo Curiosity Mars Rover da Nasa mostra um padrão típico de depósito sedimentar no fundo de um lago. Imagem: Nasa / JPL-Caltech / MSSS
Esta rocha em camadas uniformes fotografada pelo Curiosity Mars Rover da Nasa mostra um padrão típico de depósito sedimentar no fundo de um lago. Imagem: Nasa / JPL-Caltech / MSSS

Hoje, Marte é um lugar extremamente frio, com alta radiação e completamente seco. Mas, bilhões de anos atrás, o planeta abrigava sistemas de lagos que poderiam ter sustentado vida microbiana.

Conforme o clima de lá mudou, um desses lagos – na cratera Gale – secou lentamente. De acordo com os analistas, a salmoura acabou vazando profundamente pelas rachaduras, entre os grãos de solo no fundo ressecado do lago, o que foi alterando as camadas ricas em minerais argilosos.

“Costumávamos pensar que, uma vez que essas camadas de minerais de argila se formaram no fundo do lago na cratera Gale, elas permaneceram assim, preservando o momento em que se formaram por bilhões de anos”, disse Tom Bristow, principal investigador e líder do CheMin. “Mas salmouras posteriores quebraram esses minerais de argila em alguns lugares – essencialmente redefinindo os registros de rocha”.

Por meio do CheMin, os cientistas compararam amostras retiradas de duas áreas a cerca de 400 metros de distância de uma camada de argila depositada bilhões de anos atrás no fundo do lago na cratera Gale.

De acordo com o site Phys.org, surpreendentemente, uma das áreas tinha somente cerca de metade dos minerais de argila que eles esperavam encontrar. Eles encontraram argilitos (rochas sedimentares formadas de argila e minerais) ricos em óxido de ferro – mineral que dá a Marte sua característica cor vermelha enferrujada.

A rede de rachaduras nesta laje de rocha marciana chamada “Old Soaker” pode ter se formado a partir da secagem de uma camada de lama há mais de 3 bilhões de anos. Imagem: Nasa / JPL-Caltech / MSSS
A rede de rachaduras nesta laje de rocha marciana chamada “Old Soaker” pode ter se formado a partir da secagem de uma camada de lama há mais de 3 bilhões de anos. Imagem: Nasa / JPL-Caltech / MSSS

Os cientistas sabiam que as amostras de argilitos tinham mais ou menos a mesma idade e se formaram em ambas as áreas estudadas. A questão era: enquanto o Curiosity explorava os depósitos de argila sedimentar ao longo da cratera Gale, por que os fragmentos de minerais de argila – e as evidências que eles preservam – “sumiram”?

Argilas de Marte contêm pistas do desaparecimento dos registros

Os minerais de argila possuem água em sua estrutura, sendo evidências de que os solos e rochas que os contêm entraram em contato com a água em algum momento.

“Uma vez que os minerais que encontramos em Marte também se formam em alguns locais da Terra, podemos usar o que sabemos sobre como eles se formam no nosso planeta para nos dizer como eram salgadas ou ácidas as águas do antigo Marte”, explicou Liz Rampe, coautor do estudo do CheMin e investigador principal do Johnson Space Center da Nasa, em Houston.

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Trabalhos anteriores revelaram que, enquanto os lagos da cratera Gale estavam presentes e mesmo depois de secarem, a água subterrânea moveu-se abaixo da superfície, dissolvendo e transportando produtos químicos.

Depois de depositados e enterrados, alguns bolsões de argilito experimentaram diferentes condições e processos devido às interações com essas águas que alteraram a mineralogia. Esse processo, conhecido como “diagênese”, muitas vezes modifica ou apaga a história anterior do solo e escreve uma nova.

A diagênese cria um ambiente subterrâneo que pode sustentar a vida microbiana. Alguns habitats únicos na Terra – nos quais os micróbios prosperam – são conhecidos como “biosferas profundas”.

Ao comparar os detalhes dos minerais de ambas as amostras, a equipe concluiu que a filtragem da água salgada através das camadas de sedimento sobrejacentes era a responsável pelas mudanças.

Ao contrário do lago de água relativamente doce presente quando os argilitos se formaram, a água salgada é suspeita de ter vindo de lagos posteriores que existiam em um ambiente geral mais seco.

Segundo os pesquisadores, esses resultados oferecem mais evidências dos impactos da mudança climática de Marte bilhões de anos atrás, além de informações mais detalhadas que são então usadas para guiar as investigações do rover Curiosity na história do Planeta Vermelho.

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