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Marta e Fernando Henrique defendem união de forças para eleição de 2022

·3 minuto de leitura

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a ex-prefeita Marta Suplicy defenderam, em uma live que fizeram nesta quarta-feira, a união de forças para a disputa presidencial de 2022 contra o presidente Jair Bolsonaro. A união teria como bandeira a defesa da democracia e o combate à desigualdade.

O tucano e a ex-prefeita elogiaram as declarações do ex-presidente Lula de que o PT pode não ter candidato próprio na próxima eleição presidencial e do governador da Bahia, Rui Costa, em defesa da formação de uma frente ampla para discutir um projeto para o país.

— Sou favorável a somar forças. Estamos numa situação muito complicada. Não pode deixar que as liberdades desapareçam. Que a democracia desapareça. E pode desaparecer — afirmou o ex-presidente.

Marta disse que o país vive um "desmonte autoritário" e a união deve se dar para combater isso. Defendeu ainda que as conversas para 2022 comecem agora.

— A minha preocupação tem sido costurar uma frente ampla. Nós temos que colocar as forças políticas deste Brasil, com liberais, centro e progressistas, que têm em comum a defesa intransigente da democracia e o combate à desigualdade social.

Fernando Henrique evitou falar em nomes que poderiam encabeçar candidaturas, mas disse que é preciso ter pessoas que sejam capazes de agrupar forças.

— Está na hora de juntar ao redor da constituição pelo menos ou da desigualdade. Ao redor desses eixos dá para ver essa conversa . A dificuldade sempre é quando começa a fulanizar. Não está na hora de fulanizar.

O tucano definiu as falas de Rui Costa e Lula como "um passo importante". Ele também acredita que Bolsonaro será um candidato forte em 2022 e disse que o auxílio emergencial vai impulsionar a adesão da população mais pobre ao presidente.

— É um erro menosprezar a capacidade dele ser candidato. É um forte candidato.

Para o ex-presidente, as mobilizações devem começar após a eleição municipal. Depois de ter sido prefeita de São Paulo pelo PT (2001-2004), Marta, hoje filiada ao Solidariedade, deve apoiar a reeleição do tucano Bruno Covas e ainda tem esperança de ser a vice da chapa.

Na eleição paulistana, Marta vem prepaganda a necessidade de consolidação de uma frente que se aponha a Bolsonaro e sirva "como uma luz" para a disputa presidencial de 2022. Ela vinha mantendo conversas com Márcio França, pré-candidato do PSB em São Paulo, mas descartou uma aliança com o ex-governador depois que ele se aproximou de Bolsonaro.

— É um erro do Márcio França — disse Fernando Henrique.

Marta atacou a falta de capacidade de ouvir as diferentes forças políticas do atual presidente.

— O que mais falta no Brasil é a capacidade diálogo. Eu não penso igual a você, mas converso. Essa é incapacidade hoje. É só ódio — disse a ex-prefeita, que fez o papel de entrevistadora.

O ex-presidente concordou e citou Lula também como um exemplo de político que sabia dialogar.

— Fui muito criticado quando era presidente porque conversava com todo mundo. Você ouve o argumento do outro. O Lula fazia isso também.

Durante a live, os dois também criticaram o ministro da Economia, Paulo Guedes. Marta disse que Guedes não entende do Brasil e não tem sensibilidade para as questões sociais.

— Ele é inadequado — concordou mais uma vez Fernando Henrique.

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